Allan Simon avalia que a pulverização dos direitos de transmissão esportiva no Brasil tende a diminuir nos próximos anos. Hoje, os campeonatos são distribuídos entre TV aberta, serviços de streaming pagos e canais no YouTube, mas o colunista considera que esse modelo não deve se sustentar no médio prazo.
Durante o programa “Futebol em Contexto”, ao lado de Tim Vickery, Simon comparou o cenário atual ao que ocorreu com os portais de notícias brasileiros nos anos 2000. Na avaliação dele, muitas marcas disputaram o mesmo público e, depois, acabaram se fundindo ou deixando o mercado.
“O capitalismo fala bastante, mas não aguenta a concorrência”, afirmou Simon. Ele citou AOL, UOL, Bol, Terra e IG como exemplos da disputa entre portais. Também mencionou o Brasil Online, da Abril, e o Universo Online, da Folha, que se tornaram uma só empresa.
A projeção do colunista é de uma convergência para menos marcas tanto no setor de apostas quanto nas transmissões esportivas. Simon, porém, disse que a concentração não representa necessariamente uma vantagem para o torcedor. Com menos empresas na disputa pelos direitos, as mensalidades podem subir, já que a fragmentação atual contribui para manter os preços das assinaturas mais baixos.
Grade extensa e muitos canais
Para questionar a viabilidade financeira do modelo, Simon imaginou um canal com programação durante 24 horas por dia e equipes próprias de narradores, comentaristas e repórteres. Na simulação, a grade seria preenchida repetidamente por debates sobre um lance polêmico, como um pênalti duvidoso para o Flamengo, além da exibição do jogo e de informações sobre uma eventual nota oficial.
Ele também relacionou o problema à quantidade de canais voltados a competições europeias de menor apelo popular no Brasil. Considerando apenas a TV por assinatura, citou três canais do SporTV, seis da ESPN, BandSports, N Sports e Sportnet.
Ao resumir sua avaliação sobre a estrutura atual, Allan Simon afirmou: “Eu não acredito que isso seja sustentável a médio prazo, não.”








