A resposta às chuvas cada vez mais intensas precisa começar antes de a água alcançar as cidades. Especialistas em planejamento urbano e gestão hídrica defendem que o controle de cheias considere toda a bacia hidrográfica, das nascentes à foz, e não apenas obras nas áreas urbanas atingidas.
Conhecida como bacia-esponja, a abordagem busca orientar ações capazes de armazenar, infiltrar ou retardar o escoamento ao longo do percurso da água. A proposta é reduzir o risco de inundações, aumentar a resiliência dos territórios e promover sustentabilidade ambiental, social e urbana.
Adaptação climática
Para a paisagista urbana Cecília Herzog, integrante da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN), o avanço da imprevisibilidade climática exige uma combinação de medidas. “É preciso superar a lógica de que é possível controlar o comportamento das águas por meio de obras de engenharia convencional”, afirma.
Segundo Cecília, projetos de infraestrutura devem ser articulados com conservação ambiental e planejamento territorial. Ela também é consultora internacional em projetos que aplicam Soluções Baseadas na Natureza.
As intervenções em uma parte da bacia afetam o volume e a velocidade da água nas áreas mais baixas. Por isso, a especialista defende restaurar áreas naturais, proteger nascentes, recuperar matas ciliares, ampliar superfícies permeáveis e aplicar Soluções Baseadas na Natureza nas cidades. “Tudo isso precisa ser feito agora; não são projetos para o futuro”, diz.
Gestão integrada
A adoção do modelo depende de planejamento em diferentes escalas, uso de geotecnologias, monitoramento contínuo e participação da população. Esses recursos ajudam a orientar decisões públicas por evidências científicas e pelas características de cada território.
Cecília é uma das autoras de um guia técnico sobre bacias-esponja, produzido com os pesquisadores Osvaldo Moura Rezende e João Guimarães. O material deve ser lançado em breve pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e reúne conceitos, metodologia e orientações para gestores públicos, técnicos e pesquisadores.
A especialista afirma que o conceito já inspira soluções na China e em alguns países da Europa. Para ela, os subsídios precisam chegar a mais gestores públicos do Brasil, com adaptação às realidades social, econômica e ambiental do país.








