A temporada de 2025 registrou o maior número de estrangeiros que atuaram pelo Brasileirão: 162. A partir de 2027, porém, os clubes das Séries A e B terão de reduzir gradualmente o limite de jogadores do exterior nos elencos. A regra aprovada em reunião nesta segunda-feira (21) prevê cinco estrangeiros em 2030. Flamengo, Bahia e Londrina foram contrários à mudança.
A nova escala
O teto será de 8 jogadores do exterior em 2027, 7 em 2028, 6 em 2029 e 5 em 2030. Hoje, o limite é de nove.
A CBF apresentou um estudo da CBF Academy para defender a medida. Entre 2021 e 2026, a participação dos atletas sub-23 na minutagem da primeira divisão caiu de 28,3% para 11,5%. No sentido oposto, os estrangeiros acima de 23 anos chegaram a 25% dos minutos.
A média de idade dos jogadores também subiu de 27,3 para 28,5 entre 2021 e 2026. Já a presença de estrangeiros com mais de 23 anos cresceu 3,2 vezes entre 2020 e 2026, passando de 7,8% para 25%.
“Com a redução do limite, tentamos dar mais espaço para os jogadores sub-23 e melhorar a qualidade técnica dos nossos times”, justificou Helder Melillo, diretor executivo da CBF.
O espaço para os jovens
O estudo comparou os números brasileiros com os das cinco grandes ligas europeias. A minutagem de jogadores sub-23 chega a 38% na França, 32% na Inglaterra, 31% na Espanha, 28% na Alemanha e 28% na Itália.
A mudança também criou duas listas de inscrição: uma para o elenco principal e outra para atletas sub-23, sem exigência de formação no próprio clube. A meta é que, em 2030, os 50 jogadores estejam divididos em 50% para cada grupo.
Ainda assim, a redução dos estrangeiros não garante que os minutos serão destinados a brasileiros jovens. Um clube pode contratar outro atleta nacional mais experiente, promover alguém que ainda não esteja pronto ou modificar a composição do elenco.
Entre 2014 e 2026, jogadores com 35 anos ou mais passaram de 3,5% para 11,6% da minutagem total. De 2022 a 2026, o Brasileirão recebeu 254 jogadores a custo zero, e 58% deles tinham 30 anos ou mais. Em 2026, brasileiros menores de 25 anos representaram 24% dos minutos, contra 45,9% em 2020.
Impacto técnico e financeiro
A CBF Academy apontou ainda que atletas de até 20 anos responderam por 50,1% das receitas dos clubes brasileiros com transferências para o exterior. A redução de estrangeiros pode ampliar a procura por jogadores brasileiros, mas o efeito sobre os preços ainda não está definido.
Para Guilherme Bellintani, CEO da SAF do Londrina, a medida pode reduzir a força da competição. “Perde um pouco de competitividade como um todo, a liga brasileira”, afirmou após a reunião.
O limite de estrangeiros já passou por mudanças: eram 3 jogadores por partida em 2013, 5 entre 2014 e 2022, 7 em 2023 e 9 de 2024 a 2026. O plano será avaliado ano a ano pelos clubes e poderá ser revisto.








