Ronaldo Caiado, candidato do PSD à Presidência da República, voltou a criticar os envolvidos no caso do Banco Master e afirmou que Alexandre de Moraes não tem condições de continuar no Supremo Tribunal Federal (STF). As declarações ocorreram após a retirada do sigilo de um relatório da Polícia Federal que mostra mensagens entre o fundador do banco, Daniel Vorcaro, e o ministro do Supremo.
Caiado também mudou o tom em relação a André Mendonça. Depois de chamar o ministro de uma esperança e pedir que ele não recuasse na condução dos casos do INSS e do Master, o candidato comentou a revelação de que Mendonça teria se encontrado secretamente com Vorcaro, em março de 2025.
Em uma publicação, Caiado disse que Moraes “não tem a menor condição” de permanecer na Suprema Corte e classificou o caso como um problema que alcançaria o STF e outros poderes da República. Em outra entrevista, afirmou que a permanência do ministro seria um “desrespeito completo” à sociedade brasileira e defendeu que o Supremo deveria afastá-lo imediatamente.
Críticas ao STF e defesa de apurações
Caiado também apoiou a exigência de idade mínima de 60 anos para ministros do Supremo. Para ele, os indicados deveriam ter carreira, currículo e histórico na área jurídica e constitucional.
Sobre as acusações relacionadas a Gilberto Kassab, presidente do PSD e candidato a vice em sua chapa, o candidato defendeu a abertura de investigação sobre uma suposta negociação de propina citada por Vorcaro. Caiado afirmou que as apurações devem continuar mesmo quando atingem aliados e pediu que Polícia Federal e STF tornem públicos os dados dos casos, com a derrubada dos sigilos.
Kassab e Tarcísio de Freitas negaram as acusações. Caiado, porém, disse que as negativas não encerram a necessidade de esclarecimentos e que o eleitor precisa conhecer os fatos antes de fazer seu julgamento.
Segurança, jornada e propostas econômicas
O candidato se posicionou contra a obrigatoriedade de câmeras corporais em operações policiais. Segundo Caiado, agentes precisam de liberdade para agir em situações de confronto, que ele comparou a um campo de guerra. Ele defendeu que episódios desse tipo sejam analisados por uma corregedoria técnica e independente.
Ao ser questionado sobre a denúncia contra o coronel Edson Raiado, acusado de executar três pessoas, Caiado afirmou que, se o policial tiver cometido algo errado, deve pagar pelo ato, mas que um caso não pode ser usado para generalizar toda a polícia. A polícia de Goiás sustenta que houve um tiroteio, enquanto o Ministério Público aponta uma execução.
Caiado rejeitou o fim da escala 6x1, mas disse ser favorável à escala 5x2, desde que a mudança considere os diferentes setores da economia e os efeitos sobre pequenas e microempresas. Também afirmou que não pretende alterar valores de aposentadorias e da Previdência Social.
Na área rural, prometeu apoiar pequenos produtores e direcionar crédito conforme a produção e as necessidades de cada região. Ele também defendeu a compra de alimentos para escolas, asilos e outras instituições por meio do PAA.
O candidato anunciou Ratinho Júnior, governador do Paraná, como futuro ministro da Infraestrutura. Também apresentou o Agiliza SUS, proposta que prevê a contratação de serviços de Santas Casas, hospitais particulares e instituições filantrópicas para reduzir filas de cirurgias eletivas.
Divergência sobre Previdência
Roberto Brant, coordenador do programa de governo e porta-voz econômico de Caiado, afirmou que a equipe pretende travar temporariamente, por dois ou três anos, aposentadorias, pensões, benefícios do INSS, transferências de renda e programas sociais como parte de um ajuste fiscal. Esses gastos, segundo ele, consomem 60% da receita corrente líquida da União. Brant disse que o salário mínimo continuará subindo acima da inflação.
O assessor também declarou que ainda não há uma posição definitiva sobre uma nova reforma da Previdência. Na reforma tributária, a equipe pretende reexaminar pontos ligados ao comitê gestor e à autonomia dos estados.
Brant afirmou ainda que programas de crédito subsidiado criados pelo governo Lula seriam cortados para determinadas categorias, sem especificar quais. Ele criticou o Desenrola e disse que a política de crédito não resolve o endividamento quando a taxa de juros nominal está em 14%.
Nas pesquisas citadas, Caiado apareceu com 1% das intenções de voto no levantamento da Quaest e 2% no PoderData. Os dois estudos também apontaram derrota do candidato em uma simulação de segundo turno contra Lula.








