O caso Banco Master deixou de ser apenas uma investigação sobre suspeitas financeiras e passou a envolver relações atribuídas a Daniel Vorcaro com diferentes centros de poder no Brasil. Preso, o banqueiro é investigado por um esquema que, segundo a Polícia Federal (PF), teria inflado artificialmente o valor da instituição para atrair bilhões de reais e viabilizar operações sem garantias reais.
A PF também apontou indícios de monitoramento e intimidação de adversários, além de riscos de destruição de provas, lavagem de dinheiro e interferência nas investigações. As acusações ainda precisam ser separadas entre relações legítimas, alegações sem comprovação e eventuais ilegalidades.
Mensagens e depoimento
Um relatório da PF tornado público pelo ministro André Mendonça revelou mensagens enviadas por Vorcaro para um número salvo no celular do ex-banqueiro como “Alexandre de Moraes BRASILIA”. O material recuperado mostra apenas o que Vorcaro enviou, sem o conteúdo do outro lado da conversa.
As mensagens indicam possíveis interações com Alexandre de Moraes e pessoas ligadas à família do ministro. Uma das trocas divulgadas menciona a possibilidade de a PF deflagrar a primeira fase da Operação Compliance Zero e a estratégia que Vorcaro deveria adotar diante de uma ordem de prisão preventiva.
O banqueiro também afirmou, em depoimento à equipe de André Mendonça, que pretendia envolver integrantes do governo de Luiz Inácio Lula da Silva em uma eventual delação premiada. Vorcaro disse ainda manter relação com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e mencionou viagens a eventos. Essas são alegações sem prova apresentada até o momento.
Segundo o próprio Vorcaro, ele teria criado relações com integrantes do “núcleo do atual governo” para se proteger de ataques. Nessas conexões, afirmou que teriam sido ultrapassadas “linhas de moralidade” e “linhas de ilicitude”.
Contatos no Congresso e com o bolsonarismo
O deputado Nikolas Ferreira reconheceu dois contatos com Vorcaro, mas negou irregularidades ou recebimento de benefício financeiro. Em uma conversa, teria buscado ajuda para um amigo e ex-assessor em uma questão sobre um ativo minerário. Na outra, o contato ocorreu após Nikolas apresentar um pedido de informações sobre quem financiou a viagem de ministros do STF e outras autoridades a um fórum jurídico em Londres.
Vorcaro também destinou recursos ao projeto “Dark Horse”, uma cinebiografia de Jair Bolsonaro. Os repasses identificados chegaram a US$ 12,3 milhões após a descoberta de uma transferência de US$ 1,6 milhão, realizada em setembro de 2025. O compromisso total atribuído ao banqueiro com a produção teria alcançado US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões na cotação daquele período.
A transferência de setembro ocorreu dias depois de Flávio Bolsonaro cobrar parcelas atrasadas. O senador havia dito que o último repasse de Vorcaro tinha sido feito em maio de 2025, mas a investigação identificou uma nova operação.
Em 24 horas, circularam 1,1 milhão de publicações sobre os vínculos apontados pela investigação. Foram cerca de 120 mil autores únicos e 11,8 milhões de interações.
O material reúne menções a integrantes do governo Lula, nomes ligados ao bolsonarismo, parlamentares, ministros do STF e integrantes da Polícia Federal. As investigações continuam sob responsabilidade da PF, do Ministério Público e da Justiça. Daniel Vorcaro está preso, e as acusações ainda podem ser confirmadas ou perder força ao longo do processo.









