O presidente do Cuiabá, Cristiano Dresch, defendeu a perda de pontos para clubes que não pagam dívidas relacionadas a transferências de jogadores. Para o dirigente, o transfer ban, punição que impede o registro de novos atletas, não tem sido suficiente para pressionar os devedores.
“Esse problema existe porque vivemos num mercado sem regulação e sem punição. O transfer ban hoje está se mostrando insuficiente. Precisa ter perda de pontos”, declarou Dresch.
Cobranças na CNRD
O Cuiabá levou à Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), da CBF, cobranças contra Santos e Corinthians. O clube paulista foi condenado nesta semana a pagar R$ 18,6 milhões pela contratação do zagueiro Joaquim, em fevereiro de 2023, e por uma parcela que o Cuiabá teria a receber na transferência do defensor ao Tigres, do México, em julho de 2024.
O acordo entre Cuiabá e Santos previa cinco parcelas, mas apenas a primeira foi quitada. Mesmo com a decisão favorável, Dresch demonstrou preocupação com a possibilidade de o clube não receber o valor.
O Corinthians, por sua vez, deve R$ 17,7 milhões pela contratação do volante Raniele. A CNRD aprovou um plano de pagamento em 24 parcelas, mas, conforme relatou o presidente do Cuiabá, uma parcela de R$ 800 mil venceu em julho sem ser paga.
“Estamos em uma reta final de campeonato na Série B, tentando o acesso, e esses atrasos nos atrapalham demais”, afirmou.
Impacto nas contas
Dresch também citou uma dívida de aproximadamente R$ 900 mil do Grêmio, ligada à transferência de Pepê para o Vitória. Ele afirmou que os débitos afetam o planejamento financeiro do Cuiabá, que tem uma folha salarial de aproximadamente R$ 1,6 milhão por mês.
O presidente sustentou que uma punição esportiva poderia acelerar os pagamentos. Como exemplo, disse acreditar que o Corinthians encontraria recursos para quitar o débito se estivesse ameaçado de perder três pontos no Campeonato Brasileiro.
Na entrevista, Dresch ainda questionou os investimentos do Santos enquanto há valores pendentes e mencionou Vasco e Botafogo ao abordar o endividamento de clubes da Série A. Também afirmou que equipes como Mirassol e Remo enfrentam adversários que reforçam seus elencos apesar das dívidas.
O dirigente classificou o cenário como possível “estelionato esportivo”, mas as cobranças e decisões da CNRD, isoladamente, não caracterizam o crime de estelionato. Dresch reconheceu que Osmar Stabile assumiu o Corinthians em meio a dificuldades financeiras, mas afirmou que o Cuiabá seguirá cobrando os valores devidos.








