SÃO PAULO — O Corpo de Bombeiros encerrou na tarde deste domingo, 13, as buscas por vítimas do desabamento de um prédio em construção na Penha, na Zona Leste de São Paulo. O corpo de uma menina de 7 anos foi localizado entre os escombros, elevando para seis o número de mortos.
A estrutura caiu sobre uma casa na Rua Tequici durante a madrugada de sábado, 12. Oito pessoas que estavam no imóvel foram atingidas. Uma criança e um homem foram retirados com vida, levados para atendimento médico e tinham previsão de alta até segunda-feira, 14.
Entre os mortos estão três mulheres, dois homens e uma criança. As identidades não haviam sido divulgadas. A possibilidade de haver vigias dentro da obra foi descartada depois que um representante da construtora informou aos bombeiros que não havia funcionários no prédio.
Fiscalização e investigações
A operação reuniu aproximadamente 100 profissionais, entre militares e civis, que trabalharam durante a madrugada e se revezaram nas buscas. A Defesa Civil vistoriou as construções próximas e interditou preventivamente três residências no mesmo terreno vizinho ao prédio.
A causa da queda ainda é investigada. Chovia no momento do acidente, mas a Defesa Civil informou que ainda não há elementos para apontar a chuva como responsável pelo desabamento.
O imóvel já tinha passado por fiscalizações, recebido multas e sido alvo de uma ação judicial da Prefeitura de São Paulo. Um pedido de alvará apresentado em 2019 foi negado. Depois, a obra foi interditada e multada; uma das penalidades chegou a R$ 119 mil.
Em 2021, a Prefeitura pediu à Justiça a demolição de uma construção irregular no terreno. Uma liminar determinou a paralisação das obras. Um novo projeto foi apresentado em 2022 e recebeu autorização no ano seguinte, condicionado à demolição da estrutura anterior.
Uma vistoria em fevereiro de 2024 apontou que a exigência havia sido cumprida, e o processo judicial foi encerrado. Após o desabamento, a Controladoria Geral do Município abriu investigação para verificar os procedimentos de fiscalização e autorização. A Prefeitura apura se a demolição realmente ocorreu, apesar de um laudo registrar o cumprimento da determinação. A servidora responsável pelo documento foi afastada por 30 dias.
A Polícia Civil também investiga o caso. A New Home Construtora abriu uma apuração interna e afirmou que ainda não há elementos suficientes para apontar a causa da queda. A empresa disse que prestará assistência às famílias, colaborará com as autoridades e não se eximirá de eventuais responsabilidades.









