O Sistema Único de Saúde (SUS) registrou 3,26 milhões de coletas de sangue em 2025, com taxa de 15,29 doações por mil habitantes. Segundo o Ministério da Saúde, é o melhor resultado desde o período da pandemia da Covid-19, após a queda registrada em 2020.
Desde ontem, novas regras para a doação de sangue estão em vigor no Brasil. A Portaria GM/MS 11.685/2026, publicada em julho pelo Ministério da Saúde, atualizou os critérios de aptidão e reduziu o tempo de espera em diferentes situações.
Quem pode doar
Pessoas com 70 anos ou mais poderão continuar doando quando já forem doadoras, estiverem saudáveis e forem consideradas aptas na avaliação clínica. A primeira doação continua tendo como referência o limite de 60 anos, salvo situações tecnicamente justificadas e avaliação médica do serviço de hemoterapia.
A mudança não representa liberação automática. Todos os candidatos passam por entrevista individual e avaliação clínica com profissional habilitado. É preciso estar em boas condições de saúde, pesar pelo menos 50 quilos, estar descansado e alimentado e apresentar documento oficial com foto, que pode ser digital.
O candidato deve informar corretamente o uso de medicamentos, vacinas recentes, cirurgias, exames, tatuagens, piercings, procedimentos estéticos, viagens e possíveis exposições a riscos. Todo sangue doado passa por testes antes de ser destinado aos receptores.
Prazos atualizados
Quando for possível avaliar a segurança sanitária do local e do procedimento, a doação poderá ocorrer sete dias depois de tatuagem, maquiagem definitiva, piercing ou procedimentos estéticos invasivos, como botox, preenchimento e microagulhamento. Sem essa avaliação, permanece o prazo de quatro meses. Piercings na cavidade oral ou na região genital exigem quatro meses após a retirada do acessório.
O intervalo após endoscopia ou colonoscopia caiu de seis para quatro meses. Para casos de tuberculose pulmonar ou extrapulmonar, o prazo passou de cinco anos para dois anos depois da cura. Após cirurgia bariátrica, a pessoa poderá ser considerada apta depois de seis meses, desde que esteja com o peso estável.
Também caiu de 12 para quatro meses o período de inaptidão após relações sexuais com parceiros ocasionais ou desconhecidos. Pessoas com histórico de câncer poderão ser avaliadas cinco anos depois do fim do tratamento, desde que haja cura ou remissão confirmada e não exista doença ativa. Melanoma e neoplasias do sistema hematopoiético, como linfomas e mielomas, continuam entre os casos de inaptidão definitiva.
No Paraná, a Hemorrede, coordenada pelo Centro de Hematologia e Hemoterapia do Paraná (Hemepar), está preparada para aplicar as regras. A rede atende 384 hospitais e envia diariamente cerca de 700 hemocomponentes às unidades parceiras.
Em algumas cidades, é necessário agendar a doação; em outras, o atendimento ocorre por ordem de chegada. A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) orienta consultar no site as condições, a unidade mais próxima e a necessidade de agendamento.








