A enfermeira Suellen Karlla Soares Barbosa, de 40 anos, iniciou uma campanha para conseguir acesso à imunoterapia indicada no tratamento de um câncer de mama triplo negativo. A quimioterapia começa nesta quarta-feira, 9, no Hospital Araújo Jorge, em Goiânia, pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Suellen trabalhou por 12 anos no Hospital de Urgências Governador Otávio Lage Siqueira (Hugol), atendendo pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e na enfermaria do setor de queimados. Mãe de um menino de 7 anos, ela identificou um pequeno caroço na mama direita após encerrar a amamentação do filho, no ano passado.
Como fazia autoexames com frequência, procurou atendimento médico assim que percebeu a alteração. Os primeiros exames foram uma ultrassonografia e uma mamografia. Naquele momento, o nódulo era muito pequeno e a orientação foi repetir os exames seis meses depois.
No acompanhamento, os médicos constataram que o nódulo havia crescido rapidamente. A biópsia apontou carcinoma ductal invasivo. Depois, o exame de imuno-histoquímica identificou o câncer de mama triplo negativo, que também levou à indicação de imunoterapia junto com a quimioterapia.
“Foi um impacto. Eu, que sou da área da saúde, que tanto cuido dos pacientes, agora estou do outro lado”, afirmou Suellen.
Busca pelo medicamento
Segundo a enfermeira, o SUS cobre a quimioterapia, mas ela ainda não conseguiu a imunoterapia pela rede pública. Suellen procurou a Central de Medicamentos de Alto Custo Juarez Barbosa, em Goiânia, e recebeu uma negativa. Ela também tenta obter o medicamento por meio de uma ação judicial.
O custo estimado do tratamento com a medicação é de aproximadamente R$ 35 mil por semana. Orçamentos de clínicas particulares chegaram a R$ 79 mil, R$ 80 mil e R$ 90 mil. A família organizou uma campanha para arrecadar recursos e comprar as primeiras doses enquanto busca uma solução pelo SUS.
A primeira sessão de quimioterapia pode ocorrer sem a imunoterapia. O planejamento inicial prevê 17 ciclos, com uma aplicação a cada três semanas. Mesmo com a arrecadação, a medicação precisa ser solicitada a um laboratório particular, que realiza a compra antes da disponibilização para aplicação.
O tratamento também obrigou Suellen a se afastar de uma segunda atividade profissional. No Hugol, ela trabalhava em uma escala de 12h por 36h. Familiares, amigos, colegas, antigos pacientes e pessoas que não a conheciam pessoalmente passaram a enviar mensagens, fazer doações e compartilhar a campanha.
“Eu sempre falava para os pacientes: ‘Você vai se curar, você vai sair dessa’. Agora é a minha vez”, contou.
A enfermeira afirma que pretende transformar a experiência em apoio a outras pessoas com câncer de mama. A mobilização ocorre perto do Outubro Rosa, período dedicado à conscientização e à prevenção da doença. O dinheiro arrecadado será usado nos custos relacionados ao tratamento.








