Uma informação falsa sobre Flávio Bolsonaro e Nossa Senhora Aparecida alimentou reações políticas e religiosas nesta semana. A mensagem dizia que o candidato do PL à Presidência estudava retirar da santa o título de Padroeira do Brasil.
A proposta, porém, não era de Flávio Bolsonaro. A iniciativa havia sido apresentada anos antes por outro parlamentar, mas circulou nas redes sociais como se fosse recente e estivesse ligada diretamente ao candidato.
O episódio reacendeu o debate sobre a participação da religião na política. Católicos, evangélicos e integrantes de outras religiões têm o direito de participar da vida pública e levar suas convicções para a urna. O problema aparece quando a fé é transformada em ferramenta eleitoral e símbolos religiosos são usados para espalhar informações falsas, provocar medo ou atingir adversários.
Nossa Senhora Aparecida, assim como a Bíblia, o crucifixo, o terço, os templos e lideranças religiosas, não deveria ser usada para fabricar temor e conquistar votos. A disputa por um cargo público pode envolver temas como aborto, liberdade religiosa, educação, segurança, economia e corrupção, mas o eleitor não deveria ser manipulado com a ideia de que sua fé está ameaçada por uma informação inventada ou distorcida.
A checagem também é apresentada como uma responsabilidade do jornalismo e das figuras públicas. Documentos, versões, datas e contextos precisam ser confrontados antes da divulgação. O alcance de uma publicação política pode fazer uma falsidade parecer verdadeira em pouco tempo.
A desinformação não se torna aceitável por atingir um adversário. A defesa de um candidato, segundo o texto, deve se apoiar em sua trajetória, seus votos, projetos, alianças, propostas e decisões públicas. Mentiras e manipulações, independentemente do campo político de quem as divulga, enfraquecem o debate democrático e transformam a disputa em uma tentativa de destruir o outro lado — até com o uso da fé.









