Rio de Janeiro, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
O jogo, o bastidor, o placar
Debates deixam Flávio Bolsonaro diante de eleitores sem Lula para responder
Foto: Ricardo Stuckert
Brasil

Debates deixam Flávio Bolsonaro diante de eleitores sem Lula para responder

A ausência do presidente abre espaço para o senador explorar temas como o Banco Master e falar com quem ainda não decidiu o voto.

A ausência de Lula nos debates pode deixar Flávio Bolsonaro sozinho diante de eleitores que ainda não escolheram candidato. O senador pretende participar desses encontros mesmo sem a presença do presidente, ocupando um espaço no qual pode apresentar sua versão, criticar o governo e construir sua imagem sem resposta imediata do adversário.

Lula tem priorizado entrevistas, redes sociais, eventos e ambientes em que a campanha consegue controlar melhor a mensagem. O debate, porém, coloca os candidatos diante de perguntas não selecionadas previamente pelas assessorias e de eleitores fora das bases tradicionais. Quando um candidato não comparece, o palco continua disponível para os demais.

O caso Banco Master no centro da disputa

Um dos temas que poderiam ser levados aos debates é o Banco Master. O BRB, controlado pelo governo do Distrito Federal de Ibaneis Rocha, do MDB, tentou comprar a instituição. O Banco Central não aprovou a operação, e as relações entre os dois bancos passaram a ser alvo de investigações e questionamentos. O Senado também discutiu os impactos dos negócios, incluindo ativos classificados como irregulares ou de difícil recuperação.

Documentos e investigações colocaram sob escrutínio a atuação de políticos que circularam no entorno de Daniel Vorcaro, banqueiro do Master. A presença de nomes da direita e do centrão é apontada como um elemento relevante do caso, mas também há personagens ligados ao campo governista nas relações investigadas. As acusações ainda precisam ser comprovadas, e as versões, confrontadas.

Mensagens divulgadas nas investigações mostram que Flávio Bolsonaro pediu recursos a Vorcaro para a produção de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro. A relação é objeto de apuração. Um debate permitiria que o senador respondesse às perguntas e que o eleitor comparasse as versões, sem que Lula precisasse fazer acusações.

O espaço deixado pela ausência

A estratégia de não participar pode permitir que o bolsonarismo controle a narrativa em determinados ambientes. Flávio pode ser questionado sobre sua relação com Vorcaro e sobre o financiamento ligado ao filme, mas também terá liberdade para conduzir a própria fala quando Lula não estiver presente.

A disputa não envolve apenas eleitores já alinhados. Há pessoas que rejeitam Bolsonaro, mas criticam o PT; eleitores cansados da polarização; e cidadãos que ainda esperam ouvir propostas antes de decidir. Se Lula falar somente com sua base, pode não perder votos entre os aliados, mas deixar de conquistar quem está fora dela.

Nesta quinta-feira, 1º, Flávio e outros candidatos da direita terão o palco para atacar Lula durante o debate. Sem o presidente, ele não estará no local para responder. A ausência, portanto, não elimina as perguntas: entrega aos adversários a possibilidade de apresentá-las dentro da narrativa que considerarem mais conveniente.

A questão para a campanha do PT é estratégica. Se o retorno do bolsonarismo ao Palácio do Planalto é tratado como um risco, deixar o principal adversário falar sozinho pode dificultar a disputa por votos no primeiro turno e complicar o segundo turno.

Texto produzido pela Redação Arena em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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