Rio de Janeiro, Sábado, 26 de setembro de 2026
O jogo, o bastidor, o placar
Nacional - Quanto dinheiro passou por Dark Horse? Família Bolsonaro inovou nas formas de arrecadação com o filme
Brasil

Investigações buscam rastrear dinheiro ligado ao filme Dark Horse

Recursos ligados a Daniel Vorcaro, emendas parlamentares e transferências diretas à produtora estão sob análise.

As investigações sobre o financiamento de Dark Horse, filme produzido para contar a trajetória de Jair Bolsonaro, ainda não definiram quanto dinheiro foi efetivamente arrecadado, quem bancou o projeto nem qual foi o destino dos recursos.

A Go Up Entertainment afirma, com base em uma perícia privada contratada pela defesa, que a produção custou US$ 13,4 milhões, aproximadamente R$ 75 milhões. O documento diz que o custo teria sido bancado pelo fundo norte-americano Havengate, mas não identifica nominalmente todos os financiadores.

Repasse ligado ao Banco Master

Flávio Bolsonaro admitiu ter procurado Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, para buscar patrocínio privado para o filme. As investigações apontam que o valor negociado chegou a US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões na época. Vorcaro teria destinado US$ 12,33 milhões ao projeto, por meio da Entre Investimentos, com envio ao Havengate Development Fund, nos Estados Unidos.

Flávio afirmou depois que o investimento relacionado a Vorcaro ficou em “12 milhões e alguma coisa de dólares”.

A Entre Investimentos foi apontada pela Polícia Federal como intermediária dos recursos. Nesta quinta-feira (24), a terceira fase da Operação Carbono Oculto, chamada Crédito Oculto, atingiu a empresa. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a Entre recebia dinheiro do Banco Master e de grupos ligados ao crime organizado. Questionado sobre a possível relação com o financiamento de Dark Horse, disse que “tudo indica que sim”, mas ressaltou que a origem específica de cada recurso ainda precisa ser rastreada.

Valores que chegaram à produtora

Documentos analisados pela Polícia Federal e pelo Coaf mostram que a Go Up recebeu aproximadamente R$ 8,95 milhões entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025. Entre os remetentes estão Moneycorp Banco de Câmbio, com R$ 3,92 milhões; GO7 Assessoria, Produção e Marketing Cultural, com R$ 2,61 milhões; Marcello de Oliveira Lopes, com R$ 1 milhão; NTT Brasil, com R$ 750 mil; e Mário Frias, com R$ 645,4 mil.

A Moneycorp pode ter feito conversões de recursos vindos do exterior. Já a GO7 pertence a Karina Gama, que também controla a Go Up. Marcello Lopes, ex-marqueteiro de Flávio Bolsonaro, declarou que o R$ 1 milhão foi um investimento privado feito com recursos próprios. A Polícia Federal não atribuiu irregularidade específica ao pagamento.

Emendas parlamentares sob análise

A Polícia Federal investiga R$ 2 milhões em emendas destinadas por Mário Frias a entidades comandadas por Karina Gama. Relatórios da Controladoria-Geral da União apontaram irregularidades na execução dos projetos.

Em uma das linhas investigadas, R$ 700 mil recebidos pelo Instituto Conhecer Brasil foram repassados à Dinâmica Editora e ao Instituto Super Poder Educacional. Depois, a NTT Brasil transferiu R$ 750 mil diretamente para a Go Up.

A investigação apura se recursos públicos circularam pelas empresas até chegar à produção. Ainda não foi concluído, porém, que os mesmos R$ 700 mil das emendas sejam os R$ 750 mil depositados na conta da produtora. Flávio Dino mencionou indícios, no “terreno hipotético da investigação”, de que Frias teria papel de liderança na suposta arquitetura de desvio de emendas. Frias nega irregularidades e afirma que o dinheiro foi destinado a projetos sociais.

A Polícia Federal também questionou a compatibilidade dos R$ 645,4 mil transferidos por Frias à produtora com os rendimentos declarados pelo parlamentar.

Participação de Eduardo Bolsonaro

Relatório da Polícia Federal afirma que Eduardo Bolsonaro orientou sobre a administração, nos Estados Unidos, dos recursos destinados ao filme. Em mensagens atribuídas a ele, o então deputado defendeu o envio da maior quantidade possível de dinheiro pelo modelo de remessas utilizado.

O Havengate foi criado por Paulo Calixto e Altieris Santana. Calixto é advogado ligado a Eduardo Bolsonaro. O fundo, criado originalmente para operações imobiliárias e praticamente inativo, passou a receber recursos em fevereiro de 2025.

As informações públicas não permitem afirmar que valores destinados formalmente ao filme tenham sido usados em despesas pessoais de Eduardo Bolsonaro ou de sua família. Também não há respostas conclusivas sobre eventual uso de recursos captados para atividades políticas, impulsionamento de conteúdo ou despesas eleitorais.

A soma dos valores não pode ser feita de forma automática, porque algumas operações podem representar etapas diferentes da circulação do mesmo dinheiro. As investigações buscam identificar quem colocou recursos no projeto, quanto foi arrecadado, por quais estruturas financeiras o dinheiro passou e onde terminou.

Texto produzido pela Redação Arena em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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