BELÉM — Antônio Carlos Nunes, conhecido como Coronel Nunes, morreu aos 87 anos. O ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) estava internado havia mais de seis meses em um hospital particular da capital paraense. Pessoas próximas informaram que ele enfrentava complicações relacionadas a uma cirurgia feita anos atrás para retirar um tumor na cabeça.
A CBF confirmou a morte e publicou uma nota de pesar. Nunes comandou a entidade de forma interina em períodos de 2016 e 2021 e exerceu efetivamente a presidência entre 2017 e 2019, após o afastamento de Marco Polo Del Nero.
O atual presidente da CBF, Samir Xaud, lamentou a morte. “A CBF lamenta o falecimento do coronel Nunes, com uma história pautada pelo fortalecimento do futebol no seu Estado, Pará, e no Brasil”, declarou.
O velório será realizado a partir das 13h deste domingo, em uma capela na Avenida José Bonifácio, em Belém, próxima à sede da Federação Paraense de Futebol. O sepultamento está marcado para a manhã de segunda-feira (14), em Ananindeua.
Da carreira militar ao futebol paraense
Natural de Monte Alegre, no Pará, Nunes começou a carreira profissional na área militar antes de assumir funções no futebol paraense. Na década de 1980, tornou-se conselheiro do Paysandu e depois passou a dirigir o departamento de futebol do clube.
Ele fazia parte do Paysandu em 1991, quando a equipe conquistou o primeiro título da Série B do Campeonato Brasileiro. O clube também divulgou uma nota de pesar e pediu um minuto de silêncio antes da partida contra a Ferroviária, marcada para este domingo, em Araraquara.
Em 1998, Nunes assumiu a presidência da Federação Paraense de Futebol. Permaneceu no cargo até 2016 e também se tornou vice-presidente da CBF. Por ser o vice mais velho em exercício, assumiu a confederação no início de 2016, durante o afastamento de Del Nero.
A suspensão de Del Nero levou Nunes à presidência efetiva da CBF. Ele permaneceu no cargo entre fevereiro de 2017 e abril de 2019.
Voto no Marrocos
Durante o congresso da Fifa em Moscou, em 2018, Nunes votou no Marrocos para sediar a Copa do Mundo de 2026. O voto contrariou o acordo das federações sul-americanas, que haviam combinado apoiar a candidatura conjunta de Estados Unidos, México e Canadá.
Na época, Nunes disse que acreditava que a votação seria secreta e justificou a escolha pelo desejo de ver o país africano receber o torneio. “Seria bom se fosse Marrocos”, afirmou.
A trajetória do ex-dirigente passou pelo Paysandu, pela Federação Paraense e pela presidência da CBF, além de uma nova passagem interina pela confederação em 2021.








