Paulo Silas não acredita que a Seleção Brasileira voltará a conquistar a Copa do Mundo. Em participação em um programa da ESPN Argentina, o ex-jogador e treinador afirmou que o país perdeu espaço no futebol e enfrenta problemas na formação de atletas.
“O Brasil não vai ser campeão nunca mais”, declarou Silas ao avaliar o futuro da equipe nacional.
Estrangeiros e formação de jogadores
Silas evitou responsabilizar principalmente Carlo Ancelotti pelo momento da Seleção. Para ele, as dificuldades estão ligadas à qualidade dos jogadores revelados no Brasil e ao espaço ocupado por atletas estrangeiros nos clubes.
O Grêmio foi citado como exemplo. Silas afirmou que o clube tinha 13 estrangeiros e que eles estariam limitando as oportunidades para jovens das categorias de base. O número, porém, estava incorreto: o elenco conta com 11 jogadores estrangeiros.
A relação entre estrangeiros e formação também aparece em outros campeonatos. O Brasileirão tem 24,8% de atletas de outros países, enquanto a La Liga registra 42,4%. No Barcelona, os estrangeiros representam 48,1% do elenco, e o clube revelou recentemente Lamine Yamal e Pau Cubarsí.
Críticas às posições tradicionais
O ex-meia também apontou mudanças no perfil dos jogadores brasileiros. Segundo ele, o país deixou de formar atletas para posições historicamente associadas à Seleção, como camisa 9, camisa 10 e lateral.
“Não temos mais nem 10 e nem 9 há quanto tempo?”, questionou Silas. Ao ser perguntado por Oscar Ruggeri sobre os laterais, afirmou que os jovens perderam o interesse pela posição porque ela não gera a mesma visibilidade.
Apesar das críticas, Silas destacou Vini Jr. de forma positiva. Para ele, o atacante entendeu as exigências de atuar no Real Madrid.
Perda de influência
Silas também relacionou o momento da Seleção à redução da influência brasileira no futebol internacional. Ele comparou a situação atual ao período em que João Havelange presidia a Fifa, entre 1974 e 1998.
Na avaliação do treinador, o Brasil tinha mais força política dentro e fora de campo naquele período. Havelange, que comandou a entidade entre 1974 e 1998, teve posteriormente sua gestão associada a acusações e investigações sobre corrupção, suborno e recebimento indevido de dinheiro.
Silas ainda colocou Argentina e Portugal à frente do Brasil no cenário atual. Ao comentar a última Copa do Mundo, citou a possibilidade de um confronto com os argentinos como um cenário mais difícil para a Seleção.








