Rio de Janeiro, Sexta-feira, 25 de setembro de 2026
O jogo, o bastidor, o placar
Planilhas da PF ligam cúpula do bicho a R$ 10 mi para bolsonaristas
Foto: Divulgação/Eliane Carvalho/Governo do Rio de Janeiro
Brasil

PF aponta repasses de mais de R$ 10 milhões a aliados de Bolsonaro no Rio

Planilhas apreendidas na Operação Unha e Carne relacionam valores a políticos e aliados ligados ao clã Bolsonaro.

Planilhas apreendidas pela Polícia Federal com o contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, relacionam mais de R$ 10 milhões em supostos repasses a aliados do clã Bolsonaro. Os documentos fazem parte da Operação Unha e Carne, que investiga a atuação de organizações criminosas no poder público fluminense.

A PF afirma que integrantes da cúpula do jogo do bicho e do contrabando de cigarros mantinham uma contabilidade paralela de propinas. O material registra mais de R$ 29 milhões destinados a pelo menos 61 políticos e partidos, em um esquema que, para a corporação, indica a captura de órgãos públicos por estruturas criminosas.

Valores citados nas planilhas

O maior valor atribuído nas anotações é de R$ 5,43 milhões para Rodrigo Bacellar (União Brasil), ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). O nome aparece ligado ao codinome “Barba”. O ex-governador Cláudio Castro (PL) é associado a R$ 3,63 milhões.

Também aparecem o deputado federal Hélio Lopes (PL), com R$ 323,2 mil; o ex-diretor da Abin Alexandre Ramagem (PL), com R$ 91,8 mil; e o ex-secretário estadual Gutemberg Fonseca (PL), relacionado a R$ 727,9 mil.

As investigações apontam que Adilsinho foi detido em apurações sobre o mercado ilegal de cigarros e apostas. As movimentações financeiras desse mercado chegaram a R$ 5 bilhões entre 2015 e 2024. Relatórios do caso afirmam que a distribuição dos recursos buscava garantir suporte e proteção política no estado.

Os nomes citados também aparecem relacionados à sustentação política do governo de Cláudio Castro após o impeachment de Wilson Witzel. Em eventos no Sambódromo do Rio de Janeiro, Castro e Ramagem frequentaram um camarote administrado pelo sobrinho de Adilsinho, ao lado de operadores e investigados do setor de contravenção.

Defesas

Cláudio Castro nega que tenha recebido pagamentos e diz que as despesas de campanha foram registradas e aprovadas pela Justiça Eleitoral. Rodrigo Bacellar rejeita os repasses e afirma que nunca foi chamado de “Barba”. Hélio Lopes diz não reconhecer os valores nem a anotação atribuída a seu nome e também menciona a aprovação de suas contas eleitorais.

Gutemberg Fonseca declarou: “Não conheço e nunca estive com Adilsinho. Nunca houve qualquer tipo de pagamento deste senhor para minha campanha”. A defesa de Alexandre Ramagem não foi localizada.

Texto produzido pela Redação Arena em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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