Rio de Janeiro, Segunda-feira, 28 de setembro de 2026
O jogo, o bastidor, o placar
Operador de Vorcaro é “pioneiro das Bahamas”; Fórum revelou elo de contratada por Flávio Bolsonaro com paraíso fiscal
Foto: Divulgação/Entre Investimentos
Brasil

PF relaciona operador de Vorcaro a estruturas nas Bahamas e filme sobre Bolsonaro

Antonio Carlos Freixo Junior é descrito pela PF como “pioneiro nas Bahamas”; documentos também mostram elo societário ligado a contrato eleitoral.

A Polícia Federal descreve Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como “Mineiro”, como “pioneiro nas Bahamas” por causa de estruturas offshore que ele teria montado no país. Freixo é dono da Entre Investimentos e apontado como operador financeiro de Daniel Vorcaro no financiamento do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro.

A descrição aparece em uma representação da PF baseada em relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). No documento, os investigadores detalham a estrutura financeira relacionada aos aportes no filme e afirmam que Freixo mantinha uma relação sólida com Vorcaro.

Entre janeiro de 2024 e dezembro de 2025, Vorcaro movimentou US$ 89,6 milhões nas Bahamas. As remessas conhecidas até agora para Dark Horse, porém, foram enviadas diretamente ao fundo Havengate, nos Estados Unidos. O relatório do Coaf também liga o banqueiro à Mosaic Financial, corretora registrada nas Bahamas, e a outras empresas. A PF suspeita que a estrutura possa ter sido usada para lavagem de dinheiro de corrupção, entre outros crimes.

Elo com empresa contratada por campanha

Documentos societários também mostram que Carolina Carmezin Beldi e Beatriz Carmezim Beldi, sócias da Hanbellseg Serviços e Locações Ltda., integram a Golden Atividades Imobiliárias Ltda. A campanha de Flávio Bolsonaro declarou ao Tribunal Superior Eleitoral uma contratação de R$ 1,5 milhão com a Hanbellseg. A empresa recebeu ainda R$ 500 mil do Fundo Especial de Financiamento de Campanha.

A Golden tem capital social de R$ 14,9 milhões, e sua maior sócia é a Feyther Investment Fund Ltd., fundo constituído nas Bahamas. Em novembro de 2025, a empresa aumentou o capital em R$ 3.417.858, com novas quotas integralmente subscritas pela Feyther, e mudou a sede para a Rua Vicente Lamarca, 326. No mesmo endereço estão registradas a Hanbellseg e a HB3 Serviços de Terceirização.

Após a alteração, a Feyther passou a deter 9.388.000 das 14.974.159 quotas da Golden, equivalente a 62,65%. Carolina, Beatriz e Mariana Carmezin Beldi ficaram com uma quota cada. Nelson Diniz da Costa aparece como administrador da Golden e procurador da Feyther no Brasil.

Registros internacionais

A Receita Federal mantém suspenso desde 9 de outubro de 2021 o CNPJ da Feyther, registrado sob o número 19.311.044/0001-60. O motivo informado é “inconsistência cadastral”. Mesmo assim, o fundo subscreveu novas quotas da Golden em novembro de 2025.

Registros das Bahamas identificavam a Feyther, em 30 de setembro de 2020, sob a classificação SFM 004, com administração da The Winterbotham Trust Company Limited. Na relação de 31 de maio de 2026, o fundo não aparece mais.

Na Flórida, a Golden Florida Real Estate LLC foi aberta em 21 de maio de 2015 e continua ativa. A Feyther figura como manager, com endereço em Tortola, nas Ilhas Virgens Britânicas. Os registros consultados não identificam o beneficiário final do fundo.

A conexão societária, por si só, não prova irregularidade. Também não há indicação de transferência de recursos da campanha para a Golden ou para a Feyther.

Texto produzido pela Redação Arena em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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