GOIÁS — As desistências de candidatos à Câmara dos Deputados colocaram o PSDB diante de um teste para a eleição de 2026: reorganizar a chapa e recuperar a capacidade de atrair nomes competitivos. Flávia Teles, viúva de Maguito Vilela, deixou a disputa após problemas de saúde. Henrique Arantes, filho do ex-deputado Jovair Arantes, retirou sua candidatura por questões pessoais e familiares. Jeferson Rodrigues também desistiu de tentar a reeleição.
As decisões têm justificativas próprias, mas reduzem a força coletiva da chapa. No sistema proporcional, os votos dos candidatos e da legenda influenciam a distribuição das cadeiras. A saída de nomes competitivos pode, portanto, afetar as perspectivas eleitorais de todo o grupo.
O deputado federal Professor Alcides e Adair, conhecido como Vovô do Jeep, continuam entre os candidatos do partido. A legenda terá de avaliar se consegue reunir votos suficientes para manter uma representação expressiva na Câmara dos Deputados ou se enfrentará uma presença parlamentar ainda menor.
A dificuldade aparece em um estado onde o PSDB foi, durante anos, associado ao poder. Sob a liderança de Marconi Perillo, a sigla venceu as eleições para governador em 1998, 2002, 2010 e 2014. Na última dessas disputas, Marconi derrotou Iris Rezende no segundo turno, com 57,51% dos votos válidos.
O ciclo, porém, perdeu força. Em 2018, Marconi concorreu ao Senado e terminou sem mandato. Quatro anos depois, voltou a disputar uma vaga na Casa e novamente não foi eleito. A sequência interrompeu uma trajetória marcada por vitórias e expôs o desafio de manter uma estrutura competitiva para além da força de seu principal líder.
O cenário estadual faz parte de um recuo nacional. Em 2014, Aécio Neves levou o PSDB ao segundo turno da eleição presidencial contra Dilma Rousseff. O tucano teve 33,55% dos votos válidos na primeira etapa, contra 41,59% da petista. No segundo turno, Dilma alcançou 51,64%, e Aécio ficou com 48,36%, somando mais de 51 milhões de votos.
Nas eleições de 2022, a federação PSDB/Cidadania elegeu 18 deputados federais, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral. Agora, a legenda precisa reconstruir quadros, alianças e perspectivas de crescimento político. Em Goiás, o resultado de 2026 vai indicar se o partido ainda sustenta uma estrutura eleitoral capaz de preservar seu espaço ou se terá de rever profundamente sua organização.








