Raphinha começou a temporada 2026/27 em ritmo histórico no Barcelona. Em oito partidas, marcou 14 gols, deu três assistências, assumiu a braçadeira de capitão e virou o principal rosto de uma equipe que venceu todos os jogos até aqui.
A marca representa o melhor início de temporada de um jogador na história do Barcelona, acima dos começos de Lionel Messi. O brasileiro também marcou nas quatro primeiras rodadas de LaLiga, estabelecendo um recorde.
A fase reacende uma questão na Seleção: o atacante conseguirá levar para o Brasil o nível apresentado na Catalunha?
De novidade a protagonista
Raphinha recebeu a primeira convocação em 2021, depois de se destacar pelo Leeds. Na estreia, contra a Venezuela, deu duas assistências. Dias depois, marcou duas vezes diante do Uruguai. Em menos de um ano, virou titular da equipe brasileira.
Na Copa do Mundo do Qatar, porém, participou dos cinco jogos do Brasil sem marcar ou dar assistência. Mesmo envolvido na construção e com participação defensiva, deixou o torneio sob a avaliação de que poderia ter produzido mais.
No Barcelona, ele chegou em 2022 e terminou a primeira temporada com 10 gols e 12 assistências. Em 2023/24, repetiu os 10 gols. A mudança de patamar veio em 2024/25, quando Hansi Flick passou a explorar sua movimentação por dentro.
Raphinha terminou aquela temporada com 34 gols e 25 assistências em 57 partidas, foi eleito o melhor jogador de LaLiga e ficou entre os principais candidatos à Bola de Ouro.
Em 2026/27, com a saída de Robert Lewandowski e sem a contratação de Julián Alvarez, passou a atuar como falso 9. A função lhe deu liberdade para combinar com Lamine Yamal, atacar a área e aparecer em diferentes posições. Dos 14 gols atuais, 12 foram marcados em sete rodadas de La Liga e dois na Champions.
O desafio com Ancelotti
O desempenho no Barcelona não se transfere automaticamente para a Seleção. O Brasil não conta com a mesma estrutura ofensiva, nem com Yamal, Pedri e os mecanismos de Flick. Também não necessariamente mantém a posse em zonas altas pelo mesmo período.
O próprio Raphinha reconheceu a diferença antes da Copa de 2026: “Eu já consegui entregar muito pela Seleção, sim. Obviamente que não podemos ser hipócritas e falar que foi igual ao clube”.
Ancelotti assumiu a Seleção em junho de 2025 e incluiu Raphinha na primeira convocação. O atacante, porém, perdeu a lista de outubro de 2025 por lesão. Em março de 2026, foi desconvocado após sofrer uma lesão muscular na parte posterior da coxa direita durante o amistoso contra a França.
Na Copa do Mundo, sentiu o mesmo local contra o Haiti, deixou o campo no primeiro tempo e ficou fora da partida seguinte. Diante da Noruega, voltou como opção de banco e Ancelotti afirmou que ele ainda não estava 100%. Raphinha não entrou na eliminação do Brasil nas oitavas de final.
Agora, o treinador mantém o atacante entre os pilares da equipe para os amistosos contra Austrália e Índia, mesmo promovendo uma reformulação com nove jogadores que não haviam sido convocados para o Mundial. A missão é encontrar na Seleção as características do Raphinha protagonista, sem tentar reproduzir exatamente o jogador do Barcelona.








