Chuva prolongada pode expor falhas que já existiam nas tubulações de casas e condomínios. Ralos com retorno de água, escoamento lento, mau cheiro, borbulhamento e transbordamentos indicam que a rede pode não estar funcionando corretamente.
O problema costuma estar ligado a obstruções parciais, resíduos acumulados, falhas estruturais ou conexões inadequadas entre os sistemas pluvial e de esgoto. A chuva, por si só, não provoca necessariamente o entupimento, mas o aumento do volume de água pode pressionar pontos que já estavam comprometidos.
Separação entre as redes
A Sanepar alerta que calhas, ralos de quintais, telhados, pátios e áreas externas não devem ser ligados à rede coletora de esgoto. O direcionamento irregular da água da chuva pode sobrecarregar o sistema, causar extravasamentos e levar o esgoto de volta para dentro dos imóveis.
A companhia opera mais de 43,4 mil quilômetros de redes coletoras e cerca de 3,5 milhões de conexões ativas em 345 municípios. Essa estrutura foi dimensionada para receber o esgoto de banheiros, cozinhas e áreas de serviço, e não grandes volumes de água pluvial.
O Simepar prevê chuva acima da média em todas as regiões do Paraná durante setembro, especialmente na primeira quinzena. A previsão considera a passagem sucessiva de frentes frias e a atuação de sistemas de baixa pressão.
Como identificar a origem
De acordo com Vinícius Nass, CEO da Hidrocano, empresa paranaense de saneamento e manutenção de tubulações, a chuva pode funcionar como um teste para redes que já apresentavam algum problema. Gordura, cabelos, restos de materiais, raízes, sedimentos e outros resíduos diminuem gradualmente o espaço interno dos tubos.
Um teste simples pode levantar a suspeita de obstrução na rede principal: ao puxar a descarga, é preciso observar se a água sobe no ralo. “Se a água subir no ralo, existe um indicativo de problema na rede principal de esgoto”, diz Nass.
A avaliação profissional é necessária para apontar o local e a causa da obstrução, principalmente em condomínios, edifícios comerciais e imóveis com redes extensas. Um defeito percebido em um apartamento ou numa área comum pode ter origem em outro trecho da instalação.
Inspeção e prevenção
Câmeras inseridas nas tubulações permitem verificar a parte interna da rede e localizar obstruções, danos ou pontos recorrentes. Com esse diagnóstico, fica mais fácil definir se o trecho precisa de limpeza, manutenção ou recuperação.
Nos condomínios, o registro dos atendimentos também pode ajudar no planejamento. Informações como data, horário, localização, tipo de serviço, equipe responsável e imagens do trabalho formam um histórico dos pontos problemáticos.
Ralos demorando a escoar, mudanças no fluxo dos vasos sanitários, retorno de água, mau cheiro persistente e ruídos diferentes devem ser observados após períodos de chuva intensa ou prolongada. A orientação é investigar os primeiros sinais antes que a situação chegue ao transbordamento ou ao refluxo.









