SÃO PAULO — A rede pública de ensino médio ampliou a participação de professores temporários entre 2015 e 2025, enquanto perdeu docentes mais jovens e reduziu o grupo de concursados, efetivos ou estáveis. Os dados são da pesquisa “Apagão dos Professores: o desafio da renovação dos professores no Brasil”, do Instituto Semesp.
O contingente de temporários subiu de 146 mil para 205 mil no período, uma alta de 40,4%. A fatia desses profissionais passou de 32,2% para 43,4% do quadro. Já o número de concursados, efetivos ou estáveis caiu de aproximadamente 305 mil para 255 mil, e a participação recuou de 67,2% para 54,1%.
A pesquisa foi apresentada nesta quarta-feira, 16, durante o 28º Fórum Nacional do Ensino Superior Particular Brasileiro (FNESP), em São Paulo. Para o Instituto Semesp, o avanço das contratações temporárias e terceirizadas ocorre ao mesmo tempo que o envelhecimento dos docentes, criando dificuldades para a reposição dos profissionais.
Diferença entre faixas etárias aumenta
O número de professores com até 24 anos diminuiu 31,1% em uma década: eram 17,3 mil em 2015 e passaram a 11,9 mil em 2025. Entre os docentes com 60 anos ou mais, o total cresceu 104,5%, de 18,2 mil para 37,3 mil.
A Taxa de Renovação Docente, criada no estudo, compara os dois grupos. O indicador caiu de 0,95 em 2015 para 0,32 dez anos depois. A projeção aponta que, se o cenário continuar, em 2040 haverá um professor com até 24 anos para cada seis docentes com 60 anos ou mais.
Geografia teve a menor taxa entre as disciplinas analisadas, com 0,216. Na sequência aparecem História (0,234), Língua Portuguesa (0,240), Sociologia (0,263), Filosofia (0,274) e Artes (0,278).









