RIO DE JANEIRO — Alexandre de Moraes e a esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, desembarcaram de um Legacy 650 no Aeroporto Santos Dumont. A aeronave, de prefixo PP-NLR, estava registrada naquele período em nome de uma empresa ligada a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
As imagens foram feitas em 22 de agosto de 2025 e mostram o casal deixando o avião na pista, enquanto seguranças retiram as bagagens. O episódio ganhou repercussão porque, em abril deste ano, o gabinete de Moraes havia afirmado que o ministro “jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro”.
Contratação do táxi aéreo
Após a divulgação do vídeo, o escritório Barci de Moraes confirmou ter contratado serviços de táxi aéreo da Prime Aviation, empresa associada ao grupo empresarial de Vorcaro. A banca afirmou que Viviane usou aeronaves da companhia em viagens e que, em algumas ocasiões, foi acompanhada pelo marido.
De acordo com o escritório, a contratação foi feita para prestação de serviço de táxi aéreo, sem vínculo pessoal entre a família de Moraes e os proprietários das aeronaves. A escolha do avião usado em cada deslocamento, segundo a nota, cabia à empresa contratada. A banca também afirmou que Vorcaro não esteve em nenhum dos voos e negou relação comercial, advocatícia ou societária com a Prime Aviation.
Mensagens citadas na investigação
A Polícia Federal investiga a relação entre Vorcaro e o escritório de Viviane Barci. Mensagens obtidas pelos investigadores mostram que, em 21 de agosto de 2025, um dia antes da viagem, Vorcaro conversou com uma pessoa ligada à empresa responsável pelo agenciamento dos aviões.
Ele pediu uma aeronave para outro deslocamento e foi informado de que o PP-NLR estava reservado para um voo da “Barci”. Ao saber que seria necessário alterar o planejamento, respondeu: “Não deixe de atender Barci. Pode manter o dele, vou ver outra forma.”
Contrato investigado
O voo também aparece no contexto de outro contrato analisado pela PF entre o escritório de Viviane Barci e uma empresa ligada a Vorcaro. Documentos indicam um acordo de R$ 50 milhões, com parte dos honorários prevista em ativos relacionados a um jatinho e a um helicóptero.
Uma minuta apontava R$ 40 milhões em honorários pela transferência desses ativos e outros R$ 10 milhões para despesas ligadas a voos. A negociação envolvia o Legacy 650 de prefixo PP-NLR. O escritório afirma que o contrato não foi efetivado.
Após a divulgação das imagens, Moraes manteve a versão de que nunca viajou em aeronave de Daniel Vorcaro. A defesa e o escritório diferenciam o empresário da empresa contratada para o serviço de táxi aéreo e afirmam que a família não escolheu especificamente os aviões usados.








