Aos 65 anos, Astrid Fontenelle diz ter mudado sua relação com a idade, o corpo e a própria imagem. A apresentadora afirma que passou a enxergar a maturidade como uma fase de descobertas, com mais segurança diante do espelho e liberdade para escolher como quer viver.
“Eu fui me achar bonita agora”, conta Astrid. Ela diz que nunca teve a beleza como principal atributo profissional e que construiu sua trajetória a partir do conhecimento e do carisma. A mudança ganhou força durante a pandemia, quando passou a se maquiar, arrumar o cabelo e escolher roupas para ficar em casa.
O cabelo grisalho também entrou nessa transformação. Astrid recusou uma campanha para pintar os fios em casa e, três meses depois, foi chamada pelo Boticário para estrelar uma campanha de xampu para cabelos grisalhos. Para ela, manter a cor natural era uma questão de coerência.
Saúde, autonomia e novas conversas
A apresentadora fala ainda sobre o diagnóstico de lúpus, descoberto depois de um ano de dores e de passagens por dois hospitais. Após receber diagnósticos errados, procurou a ginecologista e chegou ao Einstein, onde teve a confirmação em menos de 12 horas. Desde então, passou a prestar mais atenção aos sinais do corpo e a procurar informação médica quando percebe algo diferente.
Astrid também relaciona longevidade à mobilidade e à autonomia. Faz musculação para conseguir se levantar, manter o equilíbrio e carregar objetos. A menopausa, o desejo e as mudanças do corpo estão entre os temas que ela quer abordar em sua nova plataforma de conteúdo.
Projeto voltado para mulheres 45+
Depois de deixar a televisão aberta, Astrid decidiu criar a ÀVERA. O projeto vem sendo desenvolvido desde março para mulheres 45+ e reúne a experiência acumulada em mais de três décadas de televisão. Ela passou pela MTV, pelo Saia Justa, pelo Chegadas e Partidas e por Admiráveis Conselheiras, programa em que entrevistou 40 mulheres com mais de 60 anos. No projeto Mulheres Admiráveis, já contou mais de 110 histórias.
A apresentadora quer levar para a plataforma uma comunicação real sobre maturidade, incluindo as perdas, a saúde e as possibilidades dessa etapa da vida. Entre as pessoas que marcaram sua trajetória está Rita Lee, que Astrid descreve como um de seus “faróis pessoais”.
Na vida familiar, ela fala sobre o filho Gabriel, que completou 18 anos, e sobre o desafio de deixá-lo construir a própria vida. Também comenta o casamento de mais de 15 anos, vivido entre São Paulo e Salvador. Para Astrid, morar separado ajudou a preservar a conversa, a curiosidade e a saudade na relação.
“É uma conquista estar vivo”, afirma. Para as mulheres que chegam aos 45 ou 50 anos, ela defende que essa fase pode ser celebrada e vivida com novas escolhas.








