RIO DE JANEIRO — Daniela Mercury volta ao Rock in Rio neste sábado (12), 25 anos depois de sua primeira apresentação no festival. A cantora divide o Palco Sunset com Gilsons e Olodum, em um show que terá axé, ancestralidade, política e defesa dos direitos humanos.
A apresentação vai abordar sexualidade, intolerância religiosa, racismo e questões ligadas aos direitos humanos. Daniela também pretende destacar os tambores, a soberania cultural e a conexão com a música brasileira em um momento que considera marcado por interferências internacionais. A proposta é trabalhar o formato acústico e falar sobre o que é humano e ancestral na era da inteligência artificial.
“Falo com o coração, e isso incomoda”, afirmou Daniela. A cantora disse que seguirá se posicionando, mesmo diante das críticas, e resumiu sua disposição com a frase: “Quem quiser que tape os ouvidos.”
Encontro de gerações
O repertório vai reunir músicas das três gerações e promover participações entre os artistas. Daniela destacou a relação dos Gilsons com a música popular brasileira e o respeito do trio por quem veio antes. Com o Olodum, ela também retoma uma parceria ligada à construção do axé na música brasileira.
Na primeira passagem pelo Rock in Rio, a apresentação de Sol da Liberdade foi apontada por Daniela como um divisor de águas. Na época, o festival era mais concentrado no rock, e a cantora celebrou ter conquistado espaço para uma artista pop dentro da linguagem do axé. Ela também dividiu aquele momento com Sting, James Taylor e Gilberto Gil.
A cantora completa 40 anos de carreira, sendo 35 como artista solo. Para ela, o principal desafio foi criar um trabalho esteticamente novo e manter uma trajetória no Brasil sem perder a relação com Salvador e com o Carnaval. Daniela afirmou que a carreira exige dedicação praticamente integral e que sua essência sempre foi o caminho para dialogar com o mundo.
Reconhecimento do axé
Daniela receberá o Prêmio à Excelência Musical do 27º Grammy Latino. Ela avalia que a homenagem reconhece a consistência e a originalidade do trabalho, além de marcar uma mudança na forma como o axé é visto.
Segundo a cantora, o gênero teve grande reconhecimento fora do país, mas foi tratado como algo menor no Brasil no início. Ao lado do Olodum, ela afirma ter ajudado a abrir espaço para artistas que ainda não eram reconhecidos e a transformar o axé em uma categoria musical.
A artista também relaciona sua trajetória às dificuldades impostas pelo machismo. Ela conta que precisou cantar em um tom mais grave ao substituir homens nos trios elétricos, porque as vozes femininas eram consideradas agudas. Daniela diz que sua firmeza muitas vezes foi interpretada como arrogância ou antipatia, mas considera o posicionamento parte de seu legado.








