SÃO PAULO — A Dolce&Gabbana apresentou em Milão sua coleção primavera/verão 2027, batizada de Stravaganza Siciliana. A proposta levou à passarela referências aos palácios familiares da Sicília e aos objetos transmitidos entre gerações, como roupas, joias, enxovais e tecidos da casa.
A apresentação começou com um interlúdio do intermezzo de Cavalleria rusticana, criando uma atmosfera de ópera no teatro onde a grife costuma realizar seus desfiles. Em seguida, os estilistas Domenico Dolce e Stefano Gabbana combinaram elementos tradicionais da marca em novas composições.
A renda preta apareceu junto de peças de lingerie e da alfaiataria. A estampa de leopardo foi usada com tons suaves, enquanto brocados e tecidos inspirados em estofados ganharam forma em vestidos e jaquetas. Pedrarias e broches completaram os looks, com a aparência de um porta-joias reunido sobre cada produção.
Herança reinventada
A coleção não buscou reproduzir de forma fiel o guarda-roupa de uma família siciliana. A ideia foi imaginar como uma mulher dos dias atuais escolheria essas peças e combinaria tudo de maneira mais livre. Minissaias interromperam a solenidade dos tecidos ricos, enquanto pérolas, cruzes, camafeus e pedras foram acumuladas sobre o corpo.
A origem dos próprios estilistas também reforça a ponte entre diferentes regiões italianas: Domenico Dolce nasceu na Sicília, e Stefano Gabbana, em Milão. Essa dualidade apareceu ainda na primeira fila, ocupada por Jennifer Lopez e Anna Wintour.
Lopez usava boina de veludo e brincos de pedraria. Ao lado dela, Wintour representava uma presença mais reservada ligada ao universo da moda. A coleção colocou lado a lado rigor e excesso, elegância e espetáculo, mantendo reconhecíveis os códigos da Dolce&Gabbana mesmo com a mudança na forma de combiná-los.








