Rio de Janeiro, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
O jogo, o bastidor, o placar
Eunice Gutman revisita cinco décadas de cinema e luta feminista
Foto: Arquivo Pessoal
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Eunice Gutman revisita cinco décadas de cinema e luta feminista

A cineasta completa 85 anos e 50 de carreira com uma trajetória marcada por temas como aborto, maternidade e desigualdade de gênero.

Eunice Gutman completa 85 anos e 50 de carreira com uma trajetória dedicada a personagens e temas ligados à luta das mulheres. A cineasta estará neste domingo (13) no Mubi Fest, festival de cinema de rua realizado em São Paulo.

Sua estreia profissional aconteceu em 1976, na montagem do documentário Os Doces Bárbaros, sobre Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia e Gal Costa. Na época, a direção ainda era pouco comum para mulheres, e Eunice decidiu estudar montagem. O trabalho era feito manualmente, em uma sala escura, cenário que alimentava a ideia de que a profissão não seria adequada para mulheres.

No mesmo ano, ela dirigiu E o Mundo Era Muito Maior Que a Minha Casa, documentário sobre uma mulher que aprendeu a ler aos 77 anos, no interior do Rio de Janeiro, pelo MOBRAL. O título veio de uma frase dita pela personagem sobre a descoberta de que o mundo era maior que a própria casa.

Cinema e feminismo

O interesse pelo cinema começou na infância, nos anos 1940, influenciado por histórias em quadrinhos. Antes da carreira artística, Eunice estudou Pedagogia e Ciências Sociais. Mais tarde, cursou Cinema na Bélgica, onde encontrou debates feministas mais avançados e conheceu Chantal Akerman.

De volta ao Brasil, trabalhou com temas feministas durante a ditadura militar. Filmou comunidades periféricas e áreas rurais, mostrando mulheres que enfrentavam desigualdades e buscavam maior autonomia. Para Eunice, “o pessoal é político”, princípio que orienta sua produção.

Entre os assuntos abordados em seus filmes estão aborto, maternidade, prostituição, envelhecimento e migração. Em Duas vezes mulher (1985), acompanhou nordestinas que se instalaram na favela do Vidigal, no Rio de Janeiro. Já Vida de mãe é assim mesmo? (1983) trata do aborto e começa com um parto natural filmado de frente para a câmera.

A atriz e escritora Susana Fuentes, parceira de Eunice em roteiros e trabalhos artísticos, afirma que a cineasta procura mostrar personagens em transformação, sem reduzir suas histórias à destruição. Eunice também diz que conversa várias vezes com as pessoas antes das filmagens para criar proximidade e deixá-las mais à vontade diante da câmera.

Texto produzido pela Redação Arena em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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