SÃO PAULO — Uma nova leva de bares e restaurantes está ajudando a mudar a forma de viver a gastronomia paulistana. Z Deli, Moela, Sururu e Braseiro Bom Bom têm propostas diferentes, mas dividem a aposta em comida de qualidade, identidade, consistência e ambientes sem cerimônia.
A fórmula aparece em salões pequenos, mesas nas calçadas, serviço próximo e pratos feitos para compartilhar. A hospitalidade deixa de seguir regras rígidas e ganha um ritmo mais leve, com comida farta e espaços em que os clientes podem chegar com calma e acompanhar a mesa se encher.
Tradição renovada
Fundada em 1981 por Rosa Raw e duas amigas, a Z Deli começou como uma deli de comida judaica. Décadas depois, Júlio Raw, neto de Rosa, assumiu a continuidade do negócio ao lado de Bruno Mester. O restaurante foi reinaugurado em 2024 como Z Deli Restaurante e Delicatessen, reunindo as unidades da Haddock Lobo e da Lorena.
O endereço funciona como um bistrô “all day” de comida do leste europeu, do meio-dia à meia-noite e, às vezes, até 1h da manhã. O cardápio combina receitas ídiches, itens de delicatessens novaiorquinas e sanduíches da Z Deli Sandwiches. Entre os pratos estão lox & bagel, varenikes de batata, alcachofras à Judeia, kibe cru de atum e sanduíche de pastrami de wagyu.
Benê Souza comanda a cozinha. Aos 29 anos, ele passou por Maní, Taraz e Virado SP antes de chegar à casa. Para o chef, a experiência vai além dos pratos e envolve operação, salão, música, serviço e atmosfera. Rosa Raw, aos 99 anos, ainda acompanha o movimento do salão durante o almoço.
Boteco como linguagem
O Moela nasceu em Santa Cecília, em 2020, pelas mãos do chef Rômulo Morente. Inspirado em casas de Belo Horizonte, o bar colocou os miúdos no centro do cardápio e depois ganhou unidades em Pinheiros e na Vila Mariana. Arroz de moela, bolinho de carne com tutano, cerveja de garrafa e Caju Amigo estão entre as opções da casa.
Na Barra Funda, o Sururu surgiu há pouco mais de um ano com a proposta de deselitizar os frutos do mar. O menu reúne bolinhos, croquetes, pastéis, sanduíches, caldinhos, coxinhas e porções frias. Caldo de sururu, ovo empanado com crudo de carapau e batida de coco aparecem entre os destaques.
O Braseiro Bom Bom, inaugurado no começo do mês no Baixo Pinheiros, completa o grupo. Com Rômulo Morente, Pedro Tarantino, Felipe Lion e Pedro Sampaio, a casa se inspira nos braseiros e nas galeterias do Rio de Janeiro. Picanha, fraldinha, cupim, galeto, arroz de brócolis, farofa de ovos e batata portuguesa ocupam o cardápio.
“Eu vejo que o simples bem feito vem ganhando muita força na gastronomia de São Paulo”, afirma Rômulo. Para ele, a proposta é criar ambientes em que os garçons se tornem próximos dos clientes, sem perder a naturalidade.








