PARIS — Liniker contou como raspar a cabeça durante sua iniciação no candomblé mudou a forma como enxergava a própria imagem. A cantora falou sobre o processo em uma conversa com Marília Kodic, diretora-executiva de Marie Claire Brasil, durante sua passagem pela capital francesa.
Convidada para o Le Défilé, evento anual da L’Oréal Paris que abre a semana de moda, Liniker dividiu a passarela com Taís Araujo, Bella Campos e Anitta. Com um novo visual, ela também refletiu sobre os caminhos que percorreu até se sentir mais segura de quem é.
Transformação diante do público
A artista lembrou o período em que fez sua transição diante do público e definiu a experiência como um momento de caos. Segundo Liniker, viver uma transformação pessoal sob os holofotes tornou mais difícil compreender o que estava acontecendo, principalmente quando ainda não tinha respostas para as perguntas que recebia.
Com o tempo, ela passou a valorizar a própria identidade, mesmo diante da incompreensão de outras pessoas. Ao imaginar uma conversa com sua versão mais jovem, afirmou: “Nada do que te disseram ou o que você vê na internet, vai ser tão potente quanto você se olhar com a inteireza de ser você”.
A cantora também associou a beleza a uma forma de expressão e confiança. Ao recordar o ritual de iniciação no candomblé, explicou que o corte dos cabelos, sagrado na religião e ligado ao renascimento espiritual, provocou uma percepção renovada sobre si mesma.
“Vi uma mulher potente que poderia ser qualquer coisa. Vi uma mulher bonita, que é apaixonada por ela mesma”, disse Liniker.
No desfile, ela chegou acompanhada da mãe, dona Ângela, e da tia. As duas, apontadas pela cantora como figuras centrais em sua criação, participaram de um momento que Liniker descreveu como a realização de um sonho construído ao longo da vida.








