GOIÂNIA — Fotografias preservadas de Leide das Neves estão entre os elementos centrais de “Memórias de Dona Lourdes: Ver para não esquecer”, exposição que o Museu de Arte de Goiânia (MAG) abre nesta terça-feira, 15, às 19h, no Bosque dos Buritis. A mostra revisita o acidente radiológico com Césio-137 ocorrido em Goiânia, em 1987, a partir das lembranças da mãe da menina.
Dona Lourdes das Neves Ferreira guardou as imagens da filha depois que a casa da família foi demolida e os pertences destruídos como rejeitos radioativos. Algumas fotografias passaram por descontaminação e foram devolvidas aos familiares. “Eu falei: as fotos da minha filha”, relatou Dona Lourdes ao lembrar o que pediu para salvar antes da demolição.
A vida antes do acidente
A instalação apresenta Leide para além da condição de vítima. Fotografias, documentos jornalísticos e relatos destacam sua infância, os vínculos familiares e os momentos de afeto. A menina gostava de bonecas e sonhava em ser bailarina.
Em 25 de setembro de 1987, Ivo Ferreira, marido de Dona Lourdes, levou para a residência parte de um material retirado de um aparelho de radioterapia abandonado em Goiânia. Sem saber dos riscos, a família se encantou com o brilho azul do Césio-137. Leide tinha seis anos quando entrou em contato com a substância e ingeriu parte dela durante uma refeição.
A identificação do acidente mudou a rotina dos moradores. Policiais determinaram a saída da família, e Dona Lourdes juntou roupas, documentos e dinheiro em um lençol, imaginando que voltaria. Isso não aconteceu. Leide morreu em 23 de outubro de 1987, depois de ser hospitalizada no Rio de Janeiro.
Memória coletiva
A exposição também reúne registros de repórteres fotográficos que acompanharam o episódio e mostram diferentes perspectivas sobre as perdas, os deslocamentos e o preconceito vividos pelas pessoas atingidas. A proposta é tratar a memória como forma de manter presentes histórias e experiências que não podem ser apagadas.
Com assinatura de Antônio da Mata e Denise Jácomo, a mostra tem realização do MAG e apoio de SimplyFix e Eskema Produções. A visitação segue até 12 de outubro: de terça a sexta-feira, das 8h às 12h e das 13h às 17h; aos sábados, domingos e feriados, das 8h às 18h. Antônio, diretor do MAG, convidou o público a conhecer a exposição, que, segundo ele, carrega uma parte importante da história de Goiânia.








