A masturbação pode contribuir para aliviar alguns sintomas da perimenopausa e da menopausa, como alterações no humor, dificuldade para dormir e ressecamento vaginal. A avaliação é da ginecologista e obstetra Monique Novacek, com base em evidências sobre as respostas do corpo à excitação sexual.
Um estudo publicado em 2026 na revista Menopause, da Menopause Society, ouviu 1.178 mulheres entre 40 e 65 anos. Os relatos apontaram melhora principalmente no humor, no sono e no ressecamento vaginal. Novacek ressalta, porém, que ainda são necessárias mais pesquisas para entender essa relação.
Respostas do corpo e autoconhecimento
Durante a excitação, o fluxo sanguíneo na região pélvica e genital aumenta, o que pode favorecer a lubrificação e a sensibilidade. O orgasmo provoca contrações do assoalho pélvico e está associado à liberação de substâncias relacionadas ao prazer, ao relaxamento e ao bem-estar.
“Depois do orgasmo, muitas mulheres relatam uma sensação de bem-estar que pode facilitar o sono, diminuir um pouco a ansiedade e a percepção de estresse”, explica a médica.
A prática também pode ajudar a mulher a reconhecer estímulos prazerosos e perceber o que causa desconforto, especialmente quando há ressecamento. Esse conhecimento pode facilitar a comunicação com o parceiro ou a parceira e reduzir a pressão para que o sexo envolva necessariamente penetração ou outra pessoa.
O orgasmo não precisa ser o objetivo de toda masturbação. Mesmo sem ele, a excitação pode aumentar o fluxo sanguíneo, a lubrificação e a percepção das sensações. Algumas mulheres podem precisar de mais tempo ou de estímulos diferentes nessa fase.
Frequência, lubrificante e cuidados
Não existe uma frequência obrigatória. “A frequência ideal é aquela que seja confortável, prazerosa, faça sentido para ela e não seja também uma obrigação”, afirma Novacek.
Os estímulos podem ser suaves, prolongados ou mais intensos, de acordo com a preferência de cada pessoa. Vibradores também podem ser usados, inclusive para a região clitoriana, desde que sejam próprios para uso íntimo e não provoquem irritação. Produtos com fragrâncias ou componentes que causem ardência devem ser evitados.
Em casos de ressecamento, o lubrificante pode reduzir o atrito e o desconforto. Dor, ardência, sangramento ou ressecamento persistente exigem avaliação ginecológica. A redução do estrogênio pode deixar os tecidos da vulva e da vagina mais finos e sensíveis, e estímulos bruscos podem causar machucados e fissuras.
A masturbação não substitui a avaliação ou o tratamento médico quando existe um sintoma persistente. A queda na libido também não deve ser atribuída automaticamente à menopausa: sono, estresse, medicamentos, relacionamento, dor durante o sexo, condições de saúde e a percepção sobre o próprio corpo podem interferir no desejo.
Para Novacek, a menopausa pode exigir ajustes, mas não encerra a vida sexual. A prática pode ajudar a mulher a reconhecer novas respostas do próprio corpo e perceber que preferências e estímulos podem mudar ao longo da vida.








