A popularização da menopausa nas redes sociais ajudou mulheres a falar sobre ondas de calor, noites maldormidas, alterações de humor, queda da libido e outras mudanças. Mas o excesso de informação também pode estimular o autodiagnóstico e a busca por tratamentos que não servem para todas.
Vídeos e relatos podem ajudar a reconhecer que determinados sintomas têm nome e incentivar a procura por um médico. O risco aparece quando o conteúdo deixa de ser o início da investigação e passa a ser tratado como resposta definitiva.
“O ponto principal é não ignorar os sintomas, mas também não fechar diagnóstico pelo que aparece no feed”, alerta o ginecologista Nélio Veiga Junior, especialista em saúde hormonal e qualidade de vida da mulher no climatério. Para ele, as redes podem iniciar uma conversa, mas não substituem uma avaliação clínica individualizada.
Tratamentos não são fórmulas prontas
Suplementos, hormônios, tratamentos e mudanças de medicamentos passaram a circular como soluções que poderiam ser usadas de maneira geral. Mesmo quando as queixas têm relação com a menopausa, a automedicação não é indicada.
A terapia hormonal e outras opções precisam considerar a história de cada mulher, além de riscos, benefícios e contraindicações. A experiência divulgada por uma influenciadora também não garante o mesmo resultado para outra pessoa.
A menopausa é confirmada depois de 12 meses consecutivos sem menstruar. Os sintomas, porém, podem começar anos antes, durante a perimenopausa, fase de transição que costuma durar de quatro a oito anos, de acordo com a The Menopause Society.
Cada mulher atravessa esse período de um jeito. Por isso, falar sobre o tema continua sendo importante, mas a troca de experiências não elimina a necessidade de uma avaliação individual. A informação pode abrir a conversa; o diagnóstico e a definição do tratamento dependem do acompanhamento médico.









