Rio de Janeiro, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
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Stephanie Lourenço busca reconstruir língua Payayá e fortalecer identidade indígena
Foto: Arquivo Pessoal
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Stephanie Lourenço busca reconstruir língua Payayá e fortalecer identidade indígena

Paulista de 24 anos, Stephanie participa de um coletivo que pesquisa idiomas ancestrais e tenta manter vivos os conhecimentos dos povos originários.

A psicanalista Stephanie Lourenço, de 24 anos, tenta recuperar vínculos com a cultura Payayá, povo indígena de sua avó. Nascida no Capão Redondo, na zona sul de São Paulo, ela participa do coletivo Raiz Retorna, que reúne indígenas em processos de reconexão identitária e pesquisa de línguas ancestrais.

A avó de Stephanie nasceu em uma aldeia na Chapada Diamantina, na Bahia, às margens do rio Utinga. Depois de sofrer violência, deixou a região e foi para a capital paulista. Para escapar do preconceito, parou de falar a língua originária, tratada como “coisa de selvagem”.

Durante a adolescência, Stephanie também se afastou da própria identidade. Pintava o cabelo de ruivo e usava filtros no Instagram para clarear o rosto. Aos 12 anos, perguntou à avó se também era indígena e ouviu que a miscigenação não apagava essa identidade.

O reconhecimento veio acompanhado de questionamentos. Stephanie relata que pessoas não indígenas costumam duvidar de sua origem por ela não ter nascido em uma aldeia nem falar uma língua indígena. Dentro da etnia Payayá, porém, afirma ter sido acolhida e podido ouvir da avó histórias e cantos.

A busca pela língua

Segundo Stephanie, a língua tradicional Payayá é considerada extinta por falta de registros históricos suficientes. Há estudos que apontam semelhanças com idiomas como Sapuyá e Kariri-Xocó, do tronco Macro-Jê do Nordeste brasileiro.

Há cerca de dois anos, ela se aproximou de pessoas de diferentes povos e países da América Latina envolvidas em processos semelhantes. No Raiz Retorna, há grupos dedicados às línguas, às artes e a recortes de gênero. Os participantes compartilham arquivos, fazem pesquisas, procuram parentes mais velhos e realizam oficinas, encontros e reuniões mensais.

Stephanie e outros integrantes estudam o Tupi Antigo, que deixou de ser falado no final do século XVII e é pesquisado a partir de registros históricos deixados por jesuítas e cronistas. “É como se fosse uma grande escola coletiva e multiétnica”, afirma.

O Censo Demográfico 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística identificou 1,7 milhão de indígenas no país, distribuídos em 391 etnias, povos ou grupos. O número representa crescimento de 88,8% em relação a 2010. O levantamento também registrou 335 etnias dentro de terras indígenas e 373 fora desses territórios.

O IBGE ampliou a metodologia em 2022 e passou a perguntar se a pessoa se considerava indígena também em localidades urbanas e rurais com comunidades. O levantamento apontou ainda que 914,7 mil indígenas vivem em áreas urbanas, o equivalente a 53,97% da população indígena. Em 2010, eram 36,22%.

Para Stephanie, a visibilidade é necessária para ampliar o acesso a direitos e políticas públicas. O Ministério dos Povos Indígenas tem, entre suas atribuições previstas no Decreto nº 11.355/2023, formular e coordenar ações para indígenas em contexto urbano, fora de seus territórios ou em áreas ainda não regularizadas.

A jovem vê a retomada da língua e de outros conhecimentos como um compromisso com as próximas gerações. “Quero passar a cultura adiante”, resume Stephanie.

Texto produzido pela Redação Arena em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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