PARIS — Haider Ackermann apresentou o verão 2027 da Tom Ford com uma coleção voltada ao prazer de observar a si próprio e à liberdade de viver a sexualidade sem pudores. A proposta levou à passarela ternos estruturados, pele exposta, transparências e peças que exploram a tensão entre revelar e esconder.
O desfile aconteceu em uma sala de iluminação baixa, cercada por grandes painéis de vidro. Durante a caminhada, os modelos paravam diante dos reflexos ou trocavam olhares através das superfícies transparentes. A trilha reuniu músicas de Tina Turner e David Bowie, além de sons de respiração e gemidos.
A apresentação começou com ternos de risca de giz e corte preciso. Entre os looks femininos, uma pasta de mão apareceu combinada a uma camiseta de rede usada sem sutiã. Na sequência, peças de couro preto foram apresentadas em modelagens sem separação rígida de gênero, ao lado de roupas utilitárias e casuais.
Na parte dedicada à festa, vestidos com fendas profundas e recortes estratégicos dividiram espaço com strass e peças de alfaiataria sobre regatas decotadas. O jogo entre exposição e cobertura atravessou praticamente toda a coleção.
O momento de maior exposição veio com trajes de banho de corte mínimo. Sungas fio-dental, calcinhas e maiôs recortados ocuparam o centro do desfile, mais associados à exibição do corpo do que ao uso esportivo.
Questionado sobre a ousadia das peças, Ackermann afirmou: “Eu não estou interessado na provocação. Estou interessado no risco de ser livre”. Com isso, o diretor criativo apresenta a sensualidade como uma experiência ligada à autonomia física e à intimidade do indivíduo consigo mesmo. O corpo permanece no centro da identidade da Tom Ford, mas aparece menos dependente da aprovação externa.








