O Manchester City foi considerado culpado de 114 das 115 acusações apresentadas pela Premier League por supostas infrações ao Fair Play Financeiro. O clube nega as irregularidades e pretende recorrer. As punições ainda não foram definidas, mas podem incluir perda de títulos, dedução de pontos, multas e até exclusão da liga.
O caso envolve normas financeiras entre 2009 e 2018. A Premier League informou que a comissão independente identificou problemas entre as temporadas 2009/10 e 2017/18, incluindo contratos comerciais considerados fictícios, demonstrações financeiras distorcidas e ocultação da situação real das finanças do clube.
A entidade também afirmou que o City teria reduzido mais de 900 milhões de libras (R$ 6,2 bilhões) em custos no período investigado para aparentar conformidade com as regras financeiras da Premier League e da Uefa.
Reações ao veredito
Acun Ilicali, proprietário do Hull City, comparou o caso a doping esportivo ao analisar um cenário hipotético no podcast “The 1904 Club”. “Isso é doping financeiro no fim das contas”, afirmou.
Roberto Mancini, que comandou o City de 2009 a 2013, rejeitou a ideia de que o clube tenha sido considerado culpado. Uma das acusações envolve a suposta omissão de contratos do treinador, incluindo um acordo paralelo como “consultor especial” do Al Jazira, dos Emirados Árabes Unidos, equipe ligada a Sheikh Mansour, dono do Manchester City.
Joe Hart, goleiro do clube entre idas e vindas de empréstimos de 2006 a 2018, declarou confiança em Khaldoon Al Mubarak, presidente do City. O ex-jogador disse acreditar que o clube não será considerado culpado ao fim do processo.
Rodri, que defendeu o Manchester City entre 2019 e 2026, lembrou que a Uefa havia banido o clube de competições europeias em fevereiro de 2020 por supostas irregularidades financeiras e falta de cooperação nas investigações. A decisão foi anulada depois de recurso na Corte Arbitral do Esporte (CAS).
Ex-jogadores do Manchester United também comentaram os possíveis efeitos do caso. Rio Ferdinand brincou com a possibilidade de receber uma sétima medalha da Premier League, em referência ao título de 2011/12 conquistado pelo City, com o United como vice-campeão. David De Gea questionou quantos títulos teria conquistado, enquanto Wayne Rooney afirmou que não gostaria de receber uma taça nessas condições.
Rooney também defendeu uma punição severa, com rebaixamento à menor divisão possível e restrições aos gastos do clube nas próximas três ou quatro temporadas. Mauricio Pochettino, que treinou Southampton, Tottenham e Chelsea no período investigado, afirmou que muitos clubes seguiram as regras e que o dano não pode ser desfeito.
Liga e clube se manifestam
A Premier League confirmou nesta terça-feira (29) a decisão da comissão independente e declarou que o City violou de forma significativa os limites de gastos da entidade e da Uefa. Richard Masters, diretor-executivo da liga, classificou o processo disciplinar e o veredito como os mais importantes da história da competição.
A entidade informou que o Manchester City tem até sexta-feira, 2 de outubro, para recorrer. O clube disse que exercerá esse direito e afirmou estar “desapontado e surpresa” com a decisão. Em nota, declarou ser inocente de todas as acusações e disse possuir evidências para sustentar sua posição.
A definição das sanções ainda depende da continuidade do processo. Entre as possibilidades estão dedução de pontos retroativa ou na temporada vigente, o que poderia levar ao rebaixamento, além da retirada de troféus conquistados no período analisado.








