Millwall e West Ham voltam a se enfrentar neste sábado (19), no The Den, pela Championship, depois de 14 anos sem um duelo entre os clubes. A partida será o 100º confronto entre os rivais, em um reencontro que levou a polícia metropolitana de Londres a restringir o acesso a áreas próximas ao estádio.
A estação South Bermondsey deverá ser usada exclusivamente pelos torcedores do West Ham. Mais de 400 policiais serão mobilizados, com apoio de forças especiais, unidades caninas e câmeras de reconhecimento facial. A polícia também poderá retirar do local pessoas embriagadas ou envolvidas em desordem, com base no Ato dos Eventos Esportivos, de 1985.
Uma rivalidade nascida nas docas
Conhecido como “Docker Derby”, o clássico começou em 1899 e tem origem na ligação dos dois clubes com os trabalhadores das docas e dos portos do Rio Tâmisa, em Londres. O Millwall foi criado em 1885, na Ilha dos Cães. O West Ham surgiu 13 anos depois, originalmente com o nome Thames Ironworks Football Club.
Quando foram fundados, os clubes estavam separados por menos de 3 km. A proximidade, a origem operária e a disputa por empregos nas companhias londrinas alimentaram a rivalidade desde os primeiros anos. Entre 1899 e 1915, as equipes fizeram 60 partidas oficiais — mais da metade dos confrontos realizados entre elas.
Os períodos sem jogos foram frequentes porque Millwall e West Ham passaram boa parte da história em divisões diferentes. Ainda assim, os torcedores mantiveram os conflitos, principalmente nas décadas de 1970 e 1990, quando confrontos físicos se espalharam pelas áreas próximas às docas.
Violência fora do estádio
As torcidas Inter City Firm, do West Ham, e Bushwhackers, do Millwall, foram criadas nos anos 1970. Em 1976, a morte do torcedor do Millwall Ian Pratt aumentou a tensão entre os grupos. Naquele período, mesmo com apenas dois confrontos em campo, as torcidas se envolveram em brigas nas ruas de Londres.
A rivalidade também apareceu no filme “Hooligans”, de 2005, dirigido por Lexi Alexander. Ao longo do século 20, os encontros entre torcedores passaram a exigir atenção especial da polícia, tanto nas proximidades do antigo Upton Park, casa do West Ham, quanto no The Den.
Em 2009, pela Copa da Liga Inglesa, o West Ham venceu por 3 a 1 na prorrogação. O jogo terminou com 13 prisões, cantos racistas, esfaqueamentos e invasões ao gramado do Upton Park. A polícia intensificou o combate aos episódios de violência a partir do século 21, mas os conflitos não desapareceram completamente.
Retrospecto antes do reencontro
O Millwall não disputa a Premier League e perdeu espaço entre os protagonistas do futebol inglês. Mesmo assim, chega ao clássico com vantagem no histórico: nos 99 jogos oficiais anteriores, venceu 38 vezes, contra 34 triunfos do West Ham e 27 empates.
O time comandado por Alex Neil está na 12ª posição da Championship e não derrota o rival desde 2004. “Não dá para evitar que isso aconteça, então não adianta eu tentar minimizar a importância do jogo”, afirmou o treinador do Millwall.
O West Ham soma quatro partidas de invencibilidade contra o adversário, conquistou o acesso à Premier League, trocou o Upton Park pelo Estádio Olímpico de Londres e lidera a Championship após sete rodadas.
“É um jogo diferente de todos os outros. É um jogo especial”, declarou Nuno Espírito Santo, técnico do West Ham.
A bola rola às 8h30 (de Brasília), no The Den, com transmissão da ESPN e do Disney+.








