A escolha de Filipe Luís para comandar o Monaco foi influenciada pelo trabalho realizado no Flamengo e pela capacidade do treinador de se adaptar a diferentes cenários. Thiago Scuro, diretor-geral do clube francês, afirmou que a forma como o brasileiro organizava a equipe e construía o jogo pesou na decisão.
O primeiro contato entre os dois aconteceu durante o Mundial de Clubes, quando Filipe Luís ainda dirigia o Flamengo. A partir dali, eles conversaram sobre metodologia de treinos, personalidade e liderança. O Monaco vivia uma reconstrução, com a necessidade de gerar receitas por meio da venda de jogadores e pouca margem financeira para buscar reforços importantes. Nesse processo, Sébastien Pocognoli deixou o cargo, e o brasileiro assumiu a equipe.
Scuro também apontou a facilidade de comunicação e a visão de jogo do treinador como características importantes. Para o dirigente, Filipe Luís já provocou mudanças na cultura do clube e conseguiu incorporar rapidamente o desenvolvimento de atletas jovens ao seu trabalho.
Adaptação ao elenco
A transição exigia que Filipe Luís saísse de um elenco experiente, como o do Flamengo, para trabalhar em um projeto voltado à formação de talentos. O Monaco tinha uma média de idade de 23,9 anos, enquanto o clube brasileiro possuía jogadores mais maduros. Ainda assim, o treinador já havia dado espaço a atletas da base no Flamengo.
Em 2024, o time iniciou o Campeonato Brasileiro com média de 26,62 anos e foi o 11º elenco mais jovem da competição. No ano seguinte, a média caiu para 25,62, com mais oportunidades para os jogadores formados no clube.
“Ele é muito fácil de trabalhar, muito fácil de comunicar no dia a dia, já impactou a cultura do clube”, afirmou Scuro.
O diretor também citou a experiência de Filipe Luís à frente das equipes sub-17 e sub-19 do Flamengo. Segundo Scuro, esse histórico ajudou a reduzir as dúvidas sobre a adaptação ao novo elenco e ao futebol francês, descrito por ele como mais físico.
No campo, o Monaco passou a atuar com proposta ofensiva, pressão sem a bola e jogo vertical quando recupera a posse. Scuro destacou ainda o equilíbrio alcançado pela equipe e mencionou a atuação contra o Paris Saint-Germain como exemplo do comportamento com e sem a bola.
“Ele é obcecado por vencer, e isso faz com que ele tenha uma adaptabilidade de mudar a dinâmica de jogo”, disse o dirigente.








