Com 38 pontos e na 14ª posição da Série B, o Náutico ficou sem Hélio dos Anjos e Guilherme dos Anjos no comando. A dupla foi desligada após a derrota por 3 a 0 para o Cuiabá, pela 29ª rodada, e o time está oito pontos acima do Avaí, primeiro clube dentro da zona de rebaixamento.
A decisão foi comunicada pelo presidente Bruno Becker depois do treinamento da equipe. A saída acontece antes do clássico contra o Sport, marcado para sábado (26), no Estádio dos Aflitos.
Desgaste no clube
Além da queda de rendimento na competição, a relação dos treinadores com parte do elenco e setores da diretoria vinha se deteriorando. O acúmulo das funções de comando técnico e gestão do futebol por Hélio e Guilherme estava entre os pontos de tensão.
O ambiente piorou depois do empate por 1 a 1 com a Ponte Preta, em agosto, quando a comissão técnica fez cobranças mais duras aos jogadores. Após o revés para o Cuiabá, a diretoria passou a buscar possíveis substitutos. Hélio, ao saber da movimentação, criticou o diretor de futebol Ítalo Braga em uma conversa com o elenco. O episódio foi tratado como o estopim para o encerramento do trabalho.
Hélio e Guilherme estavam no Náutico desde abril de 2025. No início, Hélio era o treinador e Guilherme atuava como auxiliar. Na temporada 2026, os dois dividiram o comando técnico e também participaram da gestão do futebol e da montagem do elenco.
Balanço da passagem
A dupla conduziu o Náutico ao acesso à Série B em 2025 e ao vice-campeonato pernambucano na temporada seguinte. O time chegou a liderar a segunda divisão, mas perdeu rendimento ao longo da competição e passou a conviver com a preocupação em relação à permanência.
Ao todo, Hélio e Guilherme comandaram a equipe em 66 partidas, com 29 vitórias, 17 empates e 20 derrotas. O aproveitamento foi de 52,5%.
Histórico no Paysandu
A saída do Náutico ocorre depois de outro período de conflitos envolvendo a dupla. Em 2020, Hélio deixou o Paysandu após desgaste com a diretoria. Ele pediu demissão em setembro daquele ano e levou os auxiliares Guilherme dos Anjos e Marcelo Rocha.
Na ocasião, o treinador expôs divergências com o então presidente Ricardo Gluck Paul e com o diretor de futebol Felipe Albuquerque. Hélio disse ter perdido a confiança na gestão e criticou a condução do departamento de futebol. O dirigente apresentou outra versão sobre o rompimento.
Em 2024, Hélio acionou o Paysandu na Justiça do Trabalho e cobrou mais de R$ 2,6 milhões por salários, premiações, verbas rescisórias e direitos de imagem.
Também em 2024, a relação com o então executivo de futebol Ari Barros se deteriorou. Após a saída de Ari, Hélio reconheceu divergências profissionais e afirmou ter alertado a diretoria sobre problemas. Meses depois, Ari levou o caso à Justiça por declarações feitas em entrevista coletiva.
Em agosto deste ano, a Justiça da Paraíba condenou Hélio ao pagamento de R$ 18 mil por danos morais e determinou uma retratação pública. O treinador informou que pretende recorrer.









