A Ponte Preta deixou para trás a celebração pelo primeiro título nacional de sua história e mergulhou em uma crise que ameaça levar o clube de volta à Série C. Campeã da terceira divisão em 2025, a equipe ocupa a lanterna da Série B, com apenas 10 pontos após 25 rodadas.
O time não vence há 19 partidas na competição. Se perder ou empatar com o São Bernardo neste domingo (6), no Moisés Lucarelli, às 18h30, chegará a 20 jogos sem vitória e estabelecerá o maior jejum da Série B na era dos pontos corridos, iniciada em 2006. A sequência já igualou a marca do ABC, registrada em 2015.
Nos últimos jogos, a Ponte somou apenas três pontos, em empates com Botafogo-SP, Athletic e Náutico. A série também inclui 16 derrotas. A mais recente aconteceu contra o América-MG, quando o técnico Gilson precisou escalar apenas jogadores da base para evitar uma derrota por WO. A equipe sofreu dois gols no segundo tempo.
Greve e atrasos salariais
Os jogadores entraram em greve alegando atrasos salariais superiores a seis meses. Filipe Rino, advogado que representa parte do elenco, afirma que atletas que estão no clube desde o começo da temporada trabalharam por cerca de oito meses e receberam o equivalente a apenas dois meses, em pagamentos fragmentados.
Depois, os jogadores voltaram aos treinos, mas a paralisação foi seguida pela saída de atletas e por pedidos de rescisão indireta na justiça desportiva. Léo Gomes deixou o clube, e Daniel Baianinho teve o empréstimo encerrado por decisão judicial.
A diretoria reconhece os atrasos e o direito de paralisação. “Aquele que não recebe o salário tem o direito à greve, tem o direito à paralisação, como em qualquer outra profissão”, afirma o vice-presidente de futebol, Marco Antonio Eberlin.
Dívida e proposta de SAF
Além da campanha na Série B, a Ponte foi rebaixada no Campeonato Paulista, com 1 ponto em 8 jogos. Eberlin estima a dívida do clube em R$ 380 milhões e afirma que a antiga gestão deixou um passivo de R$ 400 milhões. O déficit mensal, segundo ele, é de R$ 2,8 milhões.
A diretoria aponta o acúmulo de dívidas por diferentes administrações como causa da crise. A proposta apresentada para superar o problema é transformar o departamento de futebol em SAF. O projeto prevê R$ 1 bilhão em investimentos: R$ 300 milhões para dívidas, R$ 300 milhões para o futebol e as categorias de base ao longo de dez anos e R$ 400 milhões para modernizar o Moisés Lucarelli e o centro de treinamento.
O Conselho da Ponte Preta votará no próximo dia 19 a mudança no estatuto necessária para permitir a transformação. A decisão não aprova, por si só, um investidor ou contrato de SAF. “O que nós estamos pedindo neste momento é autorização para o departamento de futebol da Ponte se constituir SAF”, diz Eberlin.








