BRASÍLIA — O escritório do advogado Fábio Lago Meirelles, que representa o deputado Mario Frias (PL-SP) e foi alvo da Polícia Federal na investigação sobre o filme Dark Horse, também foi contratado em uma parceria do Instituto Conhecer Brasil (ICB) com órgãos do Distrito Federal.
A organização, pertencente à empresária Karina da Gama, firmou em 2023 um contrato de R$ 5 milhões com o Governo do Distrito Federal. O acordo envolvia o Fundo de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAP-DF) e a Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEEDF) para executar um programa de educação criativa e transformação digital.
O plano de trabalho previa a contratação da LF&P Consulting, empresa da qual Fábio Lago é titular, para serviços jurídicos e auditoria por R$ 147 mil. Também estavam previstos serviços contábeis e auditoria no valor de R$ 96 mil.
A relação entre o ICB e a LF&P Consulting foi citada em decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou buscas e apreensões na investigação do Dark Horse. Segundo a Polícia Federal, a empresa recebeu R$ 80 mil de recursos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação repassados ao ICB por meio de emenda parlamentar de Frias.
A Controladoria-Geral da União identificou que três orçamentos apresentados pelo ICB foram criados pela mesma usuária, no mesmo dia, com intervalo de 27 minutos. A PMR Advocacia, uma das empresas relacionadas, negou ter enviado orçamento ao instituto. A empresa também aparece em cotação apresentada ao FAP-DF.
Pedido de investigação
O deputado distrital Gabriel Magno (PT-DF) levou o caso ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios. Ele apontou possíveis irregularidades na parceria, incluindo risco de triangulação de recursos educacionais para interesses privados e problemas na execução do programa.
Segundo o parlamentar, vistorias e avaliações indicaram equipamentos inutilizados, falta de capacitação, falhas de comunicação, materiais pendentes e execução fragmentada.
A SEEDF informou que a parceria teve cumprimento parcial, porque nem todas as metas e entregas foram comprovadas. A prestação de contas final continua pendente, e a organização foi cobrada a apresentar documentos e informações.
A secretaria também declarou que a OSC não devolveu valor superior a R$ 1 milhão. O débito deverá ser inscrito no SISLANCA-DF e encaminhado à Procuradoria-Geral do Distrito Federal para cobrança judicial. A FAP-DF afirmou ter realizado diligências junto ao proponente.
Operação
Na quinta-feira (10/9), Mario Frias foi alvo de busca e apreensão por determinação de Flávio Dino, em inquérito sobre a relação entre emendas parlamentares e o financiamento de Dark Horse, filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A Operação Make Up cumpriu 49 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, em São Paulo, no Rio de Janeiro e no Ceará. Frias negou irregularidades e afirmou que colaboraria com as autoridades.








