A convocação de Hugo Souza, Pedro Morisco e Otávio para os amistosos da seleção brasileira contra a Austrália abriu uma nova etapa na disputa pelo gol. Carlo Ancelotti deixou Alisson fora da lista e sinalizou que pretende observar alternativas antes de definir suas prioridades para a próxima Copa América.
A mudança acontece depois da eliminação nas oitavas de final para a Noruega, resultado que ampliou para 28 anos o jejum brasileiro sem títulos em Copas do Mundo. A renovação da equipe passou a ser tratada como prioridade para o ciclo até 2030, e a posição de goleiro aparece entre as decisões que o treinador italiano começou a antecipar.
Experiência ainda está no radar
Alisson (33), Ederson (33) e Weverton (38) foram os goleiros escolhidos por Tite para o Mundial de 2022. Alisson e Ederson estão na Seleção desde o torneio da Fifa de 2018, enquanto o arqueiro do Liverpool ocupa a titularidade há mais de uma década e perdeu espaço apenas em momentos pontuais para o atual goleiro do Fenerbahçe, ex-Manchester City.
Alisson continua sendo uma opção segura em um gigante europeu e não apresenta sinais de queda técnica. Na última Copa, fez defesas importantes e não cometeu falhas que comprometessem o Brasil. Os problemas físicos frequentes, porém, são observados como uma questão para o futuro.
Ederson já não vive seu auge no Fenerbahçe, e Weverton caminha para o fim da carreira no Grêmio. Ainda assim, Ancelotti já mostrou que considera o peso da experiência. Antes da convocação atual, o técnico havia chamado Bento, Hugo Souza e John entre os goleiros mais jovens observados ao longo de um ano.
Bento foi convocado cinco vezes e parecia ter espaço no último Mundial, mas ficou fora após falhas frequentes na Arábia Saudita. Hugo Souza atuou uma vez pela Seleção, em um amistoso contra o Japão, sem convencer. John, do Nottingham Forest, não entrou em campo.
Ao explicar a escolha de Weverton, Ancelotti afirmou: “em algumas posições, como a de goleiro, privilegiamos um pouco mais a experiência”. O treinador também disse que Bento e Hugo Souza poderiam voltar a ser lembrados.
Jovens ganham espaço na avaliação
A lista para os compromissos contra a Austrália, nos dias 25 e 29 de setembro, e a Índia, em 3 de outubro, reúne Hugo Souza (27), Pedro Morisco (22) e Otávio (20). A ausência de Alisson não significa que ele esteja descartado, mas indica que sua presença deixou de ser tratada como automática.
Ancelotti explicou que Taffarel está avaliando jovens no Campeonato Brasileiro e na Europa. O técnico citou o desempenho de Otávio no Cruzeiro e de Morisco, além de dizer que já conhece Hugo Souza. Para ele, a prioridade atual é dar atenção a caras novas.
“Quando chegar a competição, a próxima Copa América, se Alisson seguir sendo o melhor goleiro do Brasil ele vai jogar”, declarou o treinador. A avaliação, portanto, continua aberta: o goleiro do Liverpool pode permanecer como titular, enquanto novos nomes ganham experiência até 2030.
Alisson também pode exercer um papel de liderança. Com 14 jogos em Mundiais, ao lado de Gilmar e Emerson Leão, ele está entre os goleiros brasileiros com mais partidas na competição. Daqui quatro anos, terá 37 anos e poderá continuar no grupo caso mantenha alto nível em uma liga competitiva.
A posição permite carreiras mais longas. Manuel Neuer (40), Vozinha (41) e Fernando Muslera (40) defenderam Alemanha, Cabo Verde e Uruguai, respectivamente, na última Copa do Mundo. Por isso, a convocação atual não representa apenas a busca por um substituto para Alisson, mas o início da preparação de opções para a próxima geração.








