O câncer de mama tem sido diagnosticado com maior frequência em mulheres mais jovens. Para o oncologista clínico Augusto Rodrigues Neto, o cenário está ligado principalmente a mudanças nos hábitos de vida e no comportamento reprodutivo nas últimas décadas.
Gestações mais tardias, redução do número de filhos e menor período de amamentação aumentam a exposição hormonal ao longo da vida, segundo o médico. Obesidade, sedentarismo, estresse, consumo de álcool e alimentação inadequada também podem elevar o risco da doença. O uso de anticoncepcionais foi citado como fator de risco, embora pequeno.
A atividade física aparece como fator protetor. Já o consumo de bebidas alcoólicas é associado a diferentes tipos de câncer, incluindo o de mama. Alimentos ultraprocessados, embutidos e ricos em gordura também foram apontados como hábitos relacionados ao aumento do risco.
Diagnóstico e sinais de alerta
O Ministério da Saúde passou a recomendar o início do rastreamento do câncer de mama aos 40 anos, com mamografia a cada dois anos. Rodrigues Neto ressaltou, porém, que a doença também pode surgir antes dessa idade.
A orientação para essas mulheres é conhecer o próprio corpo e buscar atendimento quando houver alterações novas, como o surgimento de um caroço ou o crescimento de um nódulo já identificado. A presença de um nódulo não significa necessariamente câncer: dores nas mamas e alterações benignas são comuns, mas qualquer mudança recente deve ser investigada.
“Quanto mais precoce a gente fizer o diagnóstico, maior a chance de cura”, afirmou o oncologista.
Tratamento e fertilidade
Mulheres jovens podem apresentar proporcionalmente mais casos de tumores triplo-negativos e classificados como HER2, que podem ter comportamento mais agressivo. O tratamento também precisa considerar o desejo de ter filhos, já que determinados procedimentos, especialmente a quimioterapia, podem provocar infertilidade.
Quando a paciente ainda pretende engravidar, a preservação da fertilidade deve ser discutida antes do início do tratamento. Entre as possibilidades estão a preservação do gameta e medidas para reduzir o risco de infertilidade.
Nos casos diagnosticados durante a gravidez, alguns tratamentos podem ser realizados durante a gestação, enquanto outros precisam ser adiados. Depois do nascimento do bebê, também pode haver situações em que a amamentação não seja possível.
Para Rodrigues Neto, o cuidado deve incluir os impactos emocionais e os projetos pessoais da paciente. “Existem soluções sim hoje em dia, a medicina tem avançado”, concluiu.









