Rio de Janeiro, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
O jogo, o bastidor, o placar
Mudanças climáticas pressionam cultivo de pimenta no Paquistão
Foto: The New York Times
Brasil

Mudanças climáticas pressionam cultivo de pimenta no Paquistão

Em Kunri, calor, chuvas intensas e custos maiores ameaçam agricultores que sustentam a principal região produtora de pimenta chili do país.

Em Kunri, no sudeste do Paquistão, o calor extremo e a instabilidade das chuvas estão pressionando o cultivo de pimenta chili, base da economia de milhares de agricultores. A cidade é considerada a capital nacional da cultura e concentra mais de 85% da produção paquistanesa.

A agricultura representa quase um quarto da economia do país e emprega metade da força de trabalho. Com mais de 250 milhões de habitantes, o Paquistão está entre os países mais vulneráveis do mundo às mudanças climáticas.

Em uma plantação de Ahsan Ali Dars, áreas antes verdes deram lugar a lavouras queimadas, solo seco e trechos vazios. Em poucas horas, a temperatura passaria dos 49°C. O agricultor tentou adaptar o calendário e começou a semear em março, em vez de maio, para fortalecer as plantas antes do verão. Neste ano, porém, o calor persistiu até março, e o plantio acabou adiado para maio.

Produção ameaçada

A mudança reduziu o período de cultivo e deixou as mudas mais expostas ao estresse térmico. Dars e outros produtores passaram a usar mais fertilizante para tentar manter as plantas vivas até a colheita, que começa em setembro.

As primeiras chuvas chegaram aos campos no fim de julho, mas trouxeram também o temor de precipitações excessivas. “Se chover demais, a lavoura será destruída”, disse Dars. “Se não chover, também será desastroso.”

As inundações de 2022 destruíram quase 1,8 milhão de hectares de terras agrícolas. Agricultores de Sindh e da vizinha Punjab ainda relatam impactos do desastre. Ondas de calor, secas e enchentes se alternam, enquanto os custos de produção aumentam e dificultam a adaptação dos pequenos produtores.

Em um ano de boa colheita, centenas de agricultores e compradores se reúnem no mercado de Kunri. As pilhas de pimentas podem ultrapassar 2,4 metros de altura. Mais de 200 toneladas são vendidas diariamente durante a temporada após a colheita. Kunri tem 25 mil habitantes e fica na província de Sindh, cerca de 110 quilômetros a oeste da fronteira com a Índia.

Secagem e novas alternativas

Depois da colheita, as pimentas são espalhadas no chão por 10 dias. A umidade pode favorecer o surgimento de fungos e aumentar as perdas. Muhammad Khan, autoridade distrital de Kunri, estima que até um terço da produção seja desperdiçado na secagem e no processamento. “A secagem é o principal problema para os pequenos proprietários rurais por causa da névoa que surge à noite”, afirmou.

Os pequenos agricultores reivindicam há anos instalações modernas para controlar melhor a secagem. Muhammad Saleem, corretor do mercado local, disse que promessas de um centro nunca foram cumpridas.

Khan afirmou que o governo de Sindh aprovou um novo mercado de pimentas em Kunri, com armazéns e espaços para leilões. Segundo ele, os grandes proprietários conseguem absorver melhor os custos adicionais provocados pelo clima.

Com a produtividade em queda, fertilizantes mais caros e problemas persistentes de irrigação, agricultores começaram a diversificar as plantações. Dars reservou 1,6 hectare para 800 pés de mamão, mas mantém dúvidas sobre a resistência de qualquer cultura aos eventos climáticos extremos. “Parece que a natureza já não está mais do nosso lado”, disse.

Texto produzido pela Redação Arena em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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