Clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro negociam com o Governo Federal a criação de uma linha de crédito do BNDES voltada ao futebol. A proposta prevê empréstimos com juros menores que os praticados normalmente no mercado bancário, principalmente para o pagamento de dívidas acumuladas.
A CBF participa das conversas como articuladora, sem responsabilidade pelo financiamento. Os recursos também poderiam ser destinados a investimentos em infraestrutura, contemplando clubes com menor nível de endividamento, mas que precisam melhorar suas estruturas.
Corinthians e Internacional conduzem articulação
As tratativas são lideradas por Corinthians e Internacional, que enfrentam problemas financeiros e estão sob transfer bans da Fifa. A punição impede o registro de novos jogadores por causa de pendências.
Os presidentes Osmar Stabile e Alessandro Barcellos procuraram Pedro Daniel em busca de apoio para estruturar a proposta. CEO do Atlético-MG, Daniel foi diretor executivo da EY até o fim do ano passado. A consultoria produziu um estudo que ajudou a embasar as conversas com o Ministério do Esporte e a CBF.
Os primeiros movimentos para criar o mecanismo começaram no mês passado. A iniciativa é apresentada como diferente dos programas de REFIS realizados anteriormente, porque não ficaria limitada a débitos tributários.
Fair Play Financeiro e bets entram no debate
Os clubes também usam o Fair Play Financeiro, cujo regulamento entrou em vigor neste ano, para defender a medida. A avaliação nas negociações é que as regras mais rígidas de governança e controle financeiro aumentam a fiscalização sobre as contas e reduzem os riscos da concessão de crédito.
Ainda não foram definidos o montante que o BNDES poderia disponibilizar nem os critérios para aprovar ou rejeitar os pedidos de financiamento.
Ao mesmo tempo, as equipes acompanham estudos do Governo Federal sobre uma possível Medida Provisória para restringir parcialmente as bets no Brasil. As empresas se tornaram parceiras comerciais importantes do futebol, e os clubes temem perda de receitas caso a atuação do setor seja reduzida.
As estimativas apresentadas nas discussões apontam que as bets movimentam cerca de R$ 1 bilhão por ano em patrocínios nas camisas dos clubes da Série A. Há uma semana, clubes e federações divulgaram manifesto em defesa das operadoras de aposta e afirmaram que restrições ao mercado seriam o “fim do futebol brasileiro”.








