Rio de Janeiro, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
O jogo, o bastidor, o placar
Concha de caracol registra chuvas extremas ligadas a ciclones na Austrália
Brasil

Concha de caracol registra chuvas extremas ligadas a ciclones na Austrália

Estudo analisou marcas químicas em uma concha e apontou possível registro de eventos climáticos anteriores aos dados meteorológicos modernos.

Uma concha de caracol terrestre preservou sinais de chuvas extremas associadas à passagem de ciclones em Queensland, na Austrália. A descoberta foi apresentada em um estudo publicado na revista científica The Holocene em 28 de agosto.

Os pesquisadores analisaram uma concha da espécie Figuladra bayensis, conhecida como Biggenden Banded Snail. O exemplar foi encontrado no Parque Nacional Coalstoun Lakes e havia morrido recentemente quando foi coletado, em 2018.

Marcas químicas na concha

Análises químicas e datação por radiocarbono indicaram que o animal viveu aproximadamente quatro anos e meio. Durante esse período, o crescimento da concha variou: as fases de desenvolvimento mais acelerado coincidiram com registros de chuva extrema na região.

À medida que o caracol cresce, novas camadas se formam na abertura da concha. Para investigar essas estruturas, a equipe analisou 200 pequenas amostras, medindo a composição de isótopos estáveis de oxigênio e carbono. Outras oito amostras passaram por datação por radiocarbono.

As menores alterações na composição dos isótopos de oxigênio, de aproximadamente 2‰, foram associadas a mudanças sazonais. Já duas variações maiores, de cerca de 6‰, coincidiram com períodos relacionados aos ciclones tropicais severos Marcia e Debbie, que atingiram Queensland em 2015 e 2017, respectivamente.

Inicialmente, os cientistas avaliaram se o crescimento mais rápido poderia ser explicado apenas por períodos chuvosos, que aumentariam a vegetação e a oferta de alimento. O modelo desenvolvido pela equipe, porém, relacionou alterações superiores a 5‰ a eventos de chuva extrema, enquanto mudanças menores foram compatíveis com oscilações sazonais.

Os isótopos de carbono também indicaram mudanças na alimentação do animal ao longo das estações e durante o amadurecimento. A datação por carbono-14 ajudou a estabelecer quando diferentes partes da concha foram formadas e permitiu comparar as camadas com registros meteorológicos da região.

Possível uso em conchas antigas

O estudo considera que conchas preservadas no solo e em sedimentos podem ajudar a investigar eventos climáticos ocorridos antes da existência de registros meteorológicos modernos. A estrutura mineral pode permanecer conservada depois da morte do animal, permitindo buscar sinais de chuvas extremas e possíveis períodos de atividade de ciclones.

A hipótese ainda precisa ser confirmada. A pesquisa examinou apenas uma concha moderna, e os autores reconhecem incertezas nos modelos usados para relacionar a idade do caracol ao crescimento da estrutura. A próxima etapa será analisar exemplares encontrados em diferentes camadas de sedimentos.

A equipe quer verificar se o método pode reconstruir condições climáticas de períodos mais antigos. Se a abordagem for confirmada, conchas preservadas durante centenas ou milhares de anos poderão complementar a investigação sobre a frequência e a intensidade de eventos climáticos extremos ao longo da história.

Texto produzido pela Redação Arena em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Receba nossa newsletterUma seleção diária, direto na sua caixa de entrada.

As mais lidas

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5