Rio de Janeiro, Sábado, 26 de setembro de 2026
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Daura Sabino levou moda, bastidores e memória de Goiânia para os jornais
Brasil

Daura Sabino levou moda, bastidores e memória de Goiânia para os jornais

Estilista antes de virar colunista, Daura conhecia a sociedade goiana por dentro e registrou décadas de mudanças nas páginas dos jornais.

Daura Sabino já conhecia os bastidores da sociedade goianiense quando entrou para o jornalismo. Antes de assinar uma coluna social, ela foi estilista, proprietária da Maison Daura e modista de Gercina Borges Teixeira, mulher de Pedro Ludovico Teixeira. A partir desse universo de roupas, famílias e relações, construiu uma trajetória que ajudou a registrar a transformação de Goiânia.

Nascida em Rio Verde, no Sudoeste de Goiás, Daura chegou à capital ainda na infância. A família se transferiu para Goiânia em 1938, quando a cidade ainda estava em construção. Ela estudou no Colégio Nossa Senhora das Dores, passou por Belo Horizonte e cursou Direito na Universidade Federal de Goiás até o terceiro ano. Depois, estudou Jornalismo.

A moda como porta de entrada

Daura atuou na Maison Daura, ligada também à irmã Tereza Sabino Louza. Uma pesquisa acadêmica da Universidade Federal de Goiás encontrou registro de 1968 em que ela aparece como proprietária do estabelecimento. Sua atuação na moda, porém, começou antes.

A partir dos anos 1950, Daura confeccionou roupas para Gercina Borges Teixeira. Uma pesquisa da UFG, baseada em depoimento de Maria Dulce Loyola Teixeira, registra a proximidade entre as duas. Daura também foi madrinha do casamento de Maria Dulce com Ubiratan Estivallet Teixeira, neto de Gercina e Pedro.

Durante o governo Mauro Borges, participou de acontecimentos de moda e ajudou a levar para Goiás nomes como Dener Pamplona de Abreu e Clodovil Hernandes. Desfiles no Palácio das Esmeraldas aproximaram Goiânia de referências da alta-costura brasileira e de países como Espanha, França, Inglaterra e Alemanha.

A estreia no Jornal Opção

Em 1977, o Jornal Opção convidou Daura para atuar como colunista social. A contratação foi marcada por uma festa no Clube de Regatas Jaó, em maio daquele ano, com a presença do governador Irapuan Costa Junior e de Lúcia Vânia Abrão Costa. O editor Marco Antônio da Silva Lemos apresentou a nova jornalista.

Daura levava para a redação uma rede de relações construída durante décadas. Conhecia políticos, empresários, magistrados, primeiras-damas e famílias tradicionais. Também sabia o que não deveria publicar. Marco Antônio organizava jornalisticamente as informações que ela fornecia, até que a assinatura de Daura se consolidou nas páginas do jornal.

A estreia recebeu títulos como “Uma festa muito ‘privê’…” e “Requinte e Elegância”. A expressão “Sair na Daura” passou a representar, naquele período, uma espécie de reconhecimento social. Lourival Batista Pereira, o LBP, resumiu a escolha: “não existe pessoa mais bem indicada que Daura Sabino para falar sobre sociedade”.

A colunista que virou arquivo

Daura também atuava como repórter. Em março de 1978, acompanhou a apresentação de Margot Fonteyn e David Wall no Teatro Goiânia. Registrou a reforma do teatro, o público, os bailarinos e a recepção no Palácio das Esmeraldas. O relato preservou detalhes de uma noite cultural que, décadas depois, ajudaria a reconstruir a história da cidade.

Ela continuou ligada à moda. Em março de 1997, uma coluna registrou Fátima Gomide usando um modelo em cetim marrom e preto assinado por Daura Sabino.

A jornalista também passou pelo Diário da Manhã. Em 2002, recebeu uma homenagem pelos 25 anos desde o lançamento no Jornal Opção e foi chamada de “primeira-dama do colunismo goiano”.

Daura morreu em Goiânia na noite de 10 de outubro de 2011, em decorrência de complicações de um câncer de mama. Sua casa na Rua 20, no Centro, foi demolida em maio de 2013.

As páginas que deixou ajudam a acompanhar a moda, os clubes, os casamentos, a política e as mudanças sociais de Goiânia. Daura não apenas escreveu sobre uma cidade em transformação: antes disso, ajudou a vestir e a construir a imagem pública daquela sociedade.

Texto produzido pela Redação Arena em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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