O livro póstumo Na linha bamba, de Carlos Rodrigues de Faria, recupera memórias da infância em Goiânia, episódios familiares e a trajetória do autor nas artes gráficas. A obra foi lançada em setembro deste ano, durante a Bienal do Livro de São Paulo, poucos meses depois da morte de Faria, em maio deste ano, em Brasília, aos 92 anos.
O projeto começou a partir do gosto do autor pela escrita. De acordo com Adriano Faria, filho de Carlos, irmãos incentivaram o jornalista a reunir histórias da família. Os primeiros textos tratavam da infância, da entrada no mercado de trabalho e de episódios vividos com pais e irmãos, alguns recontados em reuniões familiares.
Infância em Goiânia
A família chegou a Goiânia em 1937. Carlos viveu no antigo bairro Botafogo, hoje Setor Leste Universitário, em uma casa localizada numa viela que terminava na Avenida Anhanguera. As lembranças incluem brincadeiras nas proximidades do Córrego Botafogo e uma passagem de Natal no Palácio das Esmeraldas, quando ele recebeu um caminhãozinho de brinquedo e uma muda de roupa entregues por dona Gercina, primeira-dama de Goiás e mulher do interventor Pedro Ludovico.
A experiência profissional também ocupa espaço na publicação. O primeiro emprego em uma gráfica foi no jornal O Estado de Goiaz, semanal de quatro páginas. Ainda adolescente, Carlos montava palavras e frases a partir de textos datilografados, usados na composição das páginas.
Depois, na Folha de Goiaz, trabalhou com máquinas linotipo, que utilizavam tipos móveis e chumbo. Ele lembrava da chumbada, quando o metal fundido podia atingir o operador, e do trabalho noturno para que os jornais chegassem às bancas na madrugada seguinte.
Família e mudança para Brasília
Carlos também registrou a história do pai, que mantinha duas famílias, e a busca por um antepassado do século XVII perseguido pela Inquisição Portuguesa. A pesquisa genealógica passou por bibliotecas e arquivos públicos, incluindo a biblioteca de Pirenópolis.
Outra lembrança trata da passagem da Coluna Prestes, em 1925, pela fazenda onde a família vivia antes da mudança para Goiânia. O livro ainda apresenta a adaptação de Carlos a Brasília, onde trabalhou como linotipista do Correio Braziliense e deixou a Imprensa Oficial do Estado de Goiás.
Carlos imprimiu e encadernou exemplares do material em casa, distribuídos a parentes em 2013. No final de 2025, enviou os textos a uma editora. A obra está à venda pela Editora Labrador e pela Amazon.









