SÃO PAULO — A produção de Dark Horse, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro, foi alvo de denúncias de condições precárias durante as gravações em São Paulo. Um relatório do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões de São Paulo (SATED/SP) reúne relatos sobre comida estragada, alimentação insuficiente, atrasos de pagamento e revistas consideradas abusivas.
O documento, elaborado em dezembro, registra 15 ocorrências formais feitas por figurantes e técnicos pelo canal Reclame SATED. As queixas envolvem brasileiros, artistas com e sem registro profissional (DRT) e profissionais técnicos que trabalharam no longa.
Alimentação e pagamentos
Segundo os relatos, o elenco estrangeiro tinha acesso a café da manhã e almoço em sistema self-service. Os figurantes recebiam um kit com pão com frios, maçã, paçoca e suco, considerado insuficiente para jornadas superiores a 8 horas.
O relatório também cita o fornecimento de comida estragada em 30 de outubro de 2025. Há ainda reclamações sobre atrasos, cachês abaixo do padrão de mercado, contratação informal por grupos de WhatsApp e pagamentos em dinheiro sem nota fiscal.
Alguns trabalhadores afirmaram que precisavam pagar R$ 10 pelo transporte até as locações. O valor, segundo os relatos, era cobrado em dinheiro ou descontado do cachê ao fim da diária.
Também foram relatados episódios de assédio moral, condições precárias e a suposta agressão física contra um figurante. De acordo com o sindicato, ele registrou boletim de ocorrência e informou que faria exame de corpo de delito.
As denúncias mencionam ainda revistas pessoais com toques em partes íntimas e nos seios dos figurantes na entrada das locações.
Investimento atribuído a Vorcaro
A produção ganhou destaque após a divulgação de mensagens e áudios entre o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O material aponta uma transferência de R$ 61 milhões para o filme entre fevereiro e maio de 2025, por meio de um fundo nos Estados Unidos ligado a aliados de Eduardo Bolsonaro.
Em áudio enviado em setembro de 2025, Flávio disse que o filme estava em um momento decisivo e demonstrou preocupação com atrasos nos pagamentos. O senador também afirmou depois que o financiamento envolveu dinheiro privado e negou irregularidades.
A GOUP Entertainment negou que Vorcaro, o Banco Master ou empresas sob seu controle estejam entre os financiadores do longa. A produtora também afirmou que não há comprovação documental, financeira ou contratual para associar a produção a fatos externos.
A Ancine informou que o filme tem orçamento de R$ 28 milhões, dividido entre Brasil, França, Alemanha e Holanda. Dirigido por Cyrus Nowrasteh e escrito com Mark Nowrasteh, a partir de argumento de Mario Frias, o longa tem Esai Morales, Lynn Collins, Camille Guaty e Jeffrey Vincent Parise no elenco.
O SATED/SP afirmou que não faz acusações diretas contra a produção. Segundo o sindicato, os relatos devem ser apurados pelas autoridades, com contraditório e ampla defesa para as partes envolvidas.








