Um ex-integrante do Serviço de Interesse Militar Voluntário Estadual (Simve) relata que trabalhou nas ruas de Goiás com atribuições policiais, mas recebeu menos, teve acesso limitado a equipamentos e não contou com os mesmos direitos dos militares efetivos. O vínculo terminou depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou inconstitucional a legislação do programa, em 2015.
O entrevistado entrou no Simve após passar por prova escrita, redação, exames clínicos e médicos, teste de aptidão física, investigação da vida pregressa e avaliação de títulos. Depois do curso de formação, passou a atuar na Polícia Militar de Goiás. Os selecionados também podiam trabalhar no Corpo de Bombeiros.
Durante a formação, a remuneração era de R$ 939,33. Após essa etapa, subia para R$ 1.341,90. Segundo o ex-integrante, o salário ficava abaixo do recebido por um soldado de primeira classe. Ele disse ainda que os temporários eram classificados como soldados de segunda classe e podiam exercer poder de polícia e realizar prisões.
A estrutura de trabalho também era diferente. De acordo com o relato, faltavam coletes e viaturas, e alguns serviços eram feitos a pé. Enquanto policiais efetivos usavam pistolas calibre .40, os integrantes do Simve tinham revólveres .38 ou .357.
Fim do programa
O entrevistado afirmou que não tinha direito à promoção por ato de bravura nem a algumas licenças e benefícios. A legislação previa pontuação adicional em concurso conforme o período trabalhado, mas a experiência foi interrompida.
Após a decisão do STF, alguns integrantes permaneceram por dois meses em funções administrativas. O ex-Simve foi deslocado para o Centro de Operações da Polícia Militar (Copom). Depois, todos foram desligados. “Numa sexta-feira eu era policial; na segunda-feira estava desempregado, procurando emprego”, afirmou.
O Simve havia sido criado em 2012 para reforçar o efetivo da segurança pública, com ingresso temporário de egressos das Forças Armadas. O STF entendeu que as atividades tinham caráter permanente e ordinário e deveriam ser exercidas por servidores aprovados em concurso público. A decisão também mencionou a possibilidade de contratação de até 2,4 mil policiais temporários, enquanto havia aproximadamente 1,4 mil candidatos aprovados no cadastro de reserva.
O relato ocorre durante a campanha eleitoral de 2026, na qual Marconi Perillo voltou a disputar o governo de Goiás e incluiu a valorização das forças de segurança entre as prioridades defendidas. Durante o terceiro mandato do político, uma greve de policiais civis durou quase três meses em 2013. Aproximadamente 90 mil ocorrências deixaram de ser registradas, e o governo determinou o corte de ponto dos servidores paralisados.
No ano seguinte, a Assembleia Legislativa aprovou reajustes escalonados para carreiras da segurança. Para policiais militares e bombeiros, o cronograma previa aumento de 18,5% em dezembro de 2014 e três parcelas de 12,33%. A Lei estadual nº 19.122/2015 adiou os pagamentos seguintes, e entidades representativas manifestaram insatisfação.








