RIO DE JANEIRO — Flávio Bolsonaro voltou a negar que pretenda retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. O candidato do PL à Presidência afirmou, durante uma atividade de campanha no Rio de Janeiro, que nunca tomou iniciativa nesse sentido e disse respeitar todas as religiões.
“Jamais teve qualquer iniciativa da minha parte. Eu sempre respeitei todas as religiões”, declarou Flávio. Ele também afirmou que não cabe ao Estado orientar a Igreja Católica sobre sua condução.
Na mesma coletiva, o candidato responsabilizou a GloboNews pela disseminação da acusação. “Essa é uma fake news que foi potencializada pela GloboNews”, disse. Flávio afirmou ainda que espera que a emissora reconheça a informação em um horário de maior audiência.
Ataques a arcebispo
A discussão ocorre depois de aliados de Flávio Bolsonaro atacarem Dom Orlando Brandes, arcebispo emérito de Aparecida. Em celebração no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, no dia 7 de Setembro, o religioso pediu que os católicos votassem em quem defendesse a soberania. A fala foi interpretada por apoiadores do bolsonarismo como uma sinalização de voto em Lula.
Em homilia no Dia Nacional de Nossa Senhora Aparecida, em 12 de outubro, Dom Orlando afirmou que, para ser pátria amada, o Brasil não poderia ser uma pátria armada. Também defendeu uma pátria sem ódio, mentira, fake news e corrupção, além de mencionar a vacinação, a ciência e Nossa Senhora.
Dois dias depois, em discurso na Assembleia Legislativa de São Paulo, o então deputado estadual do PSL Frederico D’Ávila chamou o arcebispo de “vagabundo, safado” e atacou a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil, a CNBB. Ele classificou a entidade como um “câncer” que deveria ser extirpado do Brasil e elogiou a Opus Dei e os Arautos do Evangelho.
A CNBB classificou as declarações como um “lamentável espetáculo”. Após o repúdio da Assembleia Legislativa de São Paulo, D’Ávila publicou uma carta aberta de desculpas e afirmou que seu pronunciamento havia sido inapropriado e exagerado pelo calor do momento.
A manifestação ocorreu depois de Dom Orlando também ter feito críticas durante uma cerimônia que contou com a presença de Jair Bolsonaro. O ex-presidente foi vaiado e chamado de “genocida” ao chegar ao evento, apareceu usando máscara de proteção facial, comungou, tirou foto com o arcebispo e deixou o local.
Alesp








