GOIÂNIA — A possibilidade de remoção de uma gameleira da espécie Ficus elastica mobiliza moradores e comerciantes do Setor Campinas. A árvore fica na Rua José Hermano, no cruzamento com a Rua Santa Bárbara, e poderá ser retirada pela Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) após um parecer técnico apontar riscos ligados ao avanço das raízes.
A discussão opõe relatos de danos em imóveis, calçadas, veículos e na rede elétrica à defesa da sombra, da redução do calor e do valor histórico da árvore, plantada há cerca de 60 anos.
O proprietário do imóvel mais afetado, Mário Soares, procurou a Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma) para pedir providências. Ele afirma que as raízes chegaram às paredes, ao hidrômetro e a outras partes da casa. O imóvel também passou por vistorias da Amma e da Defesa Civil.
“Eu sou a favor de árvore. Mas é o local dela que está inadequado”, disse Mário. Segundo ele, galhos atingem a rede elétrica durante as chuvas, causando curtos-circuitos, enquanto folhas e galhos geram transtornos para imóveis vizinhos e o trânsito. Ele afirma ainda que a documentação para a retirada foi providenciada pelos meios legais.
Rayanne Galdino Menezes Martins, funcionária e filha do proprietário do Supermercado Goiás, também relata interrupções no fornecimento de energia quando os galhos encostam na rede. Ela diz que o estabelecimento chegou a ficar quatro horas sem eletricidade e aponta problemas nas calçadas e danos em veículos.
Defesa da árvore
Moradora da região há 40 anos, Deborah Seyssa é contra a retirada. Professora e missionária, ela afirma que a gameleira ajuda a amenizar o calor em uma área com poucas árvores. Deborah sugere que o poder público avalie podas, indenização ou reassentamento dos proprietários do imóvel afetado.
O comerciante Stanley Silva também defende a permanência. Para ele, a árvore protege carros do sol e da chuva, e o principal incômodo é recolher as folhas.
Alaidio Martins, que afirma morar no local há 35 anos, cita a carência de arborização no Setor Campinas e o benefício ambiental da gameleira. Ele defende uma solução para os proprietários sem eliminar a árvore e destaca sua importância histórica para as próximas gerações.
Mário diz que tem recebido críticas nas redes sociais, mas afirma que quem acompanha a situação de fora não dimensiona os problemas enfrentados pela família. Ele também sustenta que a autorização prevê o plantio de outra espécie no lugar da gameleira.







