Rio de Janeiro, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
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Geleiras instáveis ampliam risco de avalanches e enchentes no Himalaia
Foto: Reuters
Brasil

Geleiras instáveis ampliam risco de avalanches e enchentes no Himalaia

O aquecimento global acelera o recuo das geleiras e dificulta a prevenção de desastres no Nepal, no Tibete e em outras áreas montanhosas.

O recuo das geleiras de montanha está aumentando a instabilidade em regiões como o Himalaia. Com a elevação das temperaturas e a redução da neve, grandes blocos de gelo podem desabar, provocar avalanches de gelo e rocha, represar rios e liberar ondas de água capazes de atingir comunidades rio abaixo.

No Nepal e no Tibete, um colapso ocorrido na semana passada desencadeou um fenômeno conhecido como “tsunami de montanha”. Milhares de pessoas continuam desaparecidas e são consideradas mortas. A ausência de sistemas de alerta precoce deixou moradores e turistas expostos às enchentes repentinas.

Mudanças no ambiente de alta montanha

Levan Tielidze, pesquisador da Universidade Monash, afirma que o Himalaia reúne geleiras, neve, permafrost, encostas rochosas, rios e processos de monção em constante interação. Para ele, o aquecimento altera esses componentes ao mesmo tempo e faz com que os riscos passem de um processo para outro.

Em um colapso ocorrido há quase 25 anos nas montanhas do Cáucaso, avalanches de gelo e detritos percorreram mais de 24 quilômetros e mataram cerca de 125 pessoas. Tielidze classificou o episódio como um dos primeiros alertas sobre a gravidade crescente dos perigos associados às geleiras.

As geleiras das montanhas nepalesas encolheram um terço em 30 anos, segundo a Organização das Nações Unidas. Pesquisas indicam que a região do Hindu Kush-Himalaia pode perder até metade da cobertura glacial até o fim do século, em comparação com 2020, mesmo em um cenário no qual o aquecimento global seja limitado a 2°C acima do período pré-industrial.

Dipesh Chapagain, do Instituto de Meio Ambiente e Segurança Humana da Universidade das Nações Unidas, afirma que os desastres climáticos em áreas montanhosas estão mais frequentes e intensos. O número de enchentes provocadas pelo rompimento de lagos glaciais aumentou cinco vezes por década desde os anos 1950.

Monitoramento e cooperação

O desastre no Nepal e no Tibete teve uma diferença em relação aos eventos tradicionais de rompimento de lagos glaciais: a água não passou pela etapa intermediária de formação de um lago. A avalanche também produziu atividade sísmica equivalente a cerca de 5,2 de magnitude, enquanto o fluxo de detritos percorreu aproximadamente 100 quilômetros pelo sistema fluvial.

Em 2025, o colapso de uma geleira destruiu a vila de Blatten, nos Alpes suíços, mas o monitoramento da geleira e do terreno permitiu retirar a população antes da catástrofe. O evento deixou uma morte.

Para Tielidze, a região do Hindu Kush-Himalaia, que abriga mais de 63,7 mil geleiras, precisa combinar observações por satélite, detecção sísmica, acompanhamento de geleiras e encostas, medição dos rios, previsão meteorológica e alertas automatizados. Em desastres de evolução rápida, a identificação de movimentos sísmicos pode dar minutos de aviso às comunidades localizadas rio abaixo.

Chapagain também defende cooperação entre os países da região, já que os riscos atravessam fronteiras. A ONU alertou nesta quarta-feira (2) que as temperaturas globais devem ultrapassar o limite de 1,5°C nos próximos anos, cenário que pode intensificar eventos climáticos extremos e pressionar geleiras, ecossistemas e cidades costeiras de baixa altitude.

Texto produzido pela Redação Arena em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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